10 de outubro de 2018

ENCONTRO "LER & ESCREVER" / SARAU TEATRAL



Prezados Leitores

É com muita satisfação que convidamos para, no próximo dia 10/nov/2018, sábado, das 14h às 18h, o VIII Encontro “LER & ESCREVER”, promovido pela REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE.
O tema do Encontro será “SENTIMENTO: ESTRANHO DESCONFORTO”.
Neste Encontro teremos, como ponto de partida da discussão, a leitura da peça teatral “Deus travou o motor do seu refrigerador, madame!”

DEUS TRAVOU O MOTOR DO SEU REFRIGERADOR, MADAME!

Autor - Waldemir Marques
Atores - Felipe Azeredo e Carmo Murano

SINOPSE
Em um pequeno apartamento no centro de uma grande cidade, uma mulher de meia idade guarda e armazena seus sentimentos e/ou vida em frascos refrigerados.
Em um momento de grande crise, daqueles em que tudo dá errado, ela descobre que seu refrigerador parou de funcionar.
O que fazer?
Chamar um “consertador” de geladeiras, simples!
Nem tanto... O “Seu” Japonês acaba não dando conta dos defeitos...
Estes conflitos e situações, tratados com poesia e humor, são resolvidos (será que serão?!) em cinquenta minutos de espetáculo.
A proposta da montagem é oferecer, numa ambientação contemporânea, sob um prisma tragicômico e a partir de um “casual” acontecimento medíocre, uma compreensão mais próxima ao sentido original do conhecido Mito de Pandora.
Ao abrir o jarro, caindo numa armadilha de Zeus, Pandora não soltou no mundo venturas ou desgraças, mas lançou sobre os homens a “maldição” de terem de viver com a consciência de seus sentimentos, bons e ruins, suas consequências e delas tirar algum resultado; em resumo: o ser humano tem de viver com a consciência de suas escolhas de vida e seguir em frente da melhor forma que puder, independente de influências, bênçãos, ou maldições sobrenaturais.
Sentimentos não devem ser reprimidos ou mascarados em ilusões, pois quando há essa tentativa, o que o ser humano vivencia é um arremedo de vida com o qual, em algum momento, por qualquer “acidente”, será obrigado a conscientizar-se, talvez tarde demais, com resultados amargos.
Para conseguir encarar o desconforto dessa consciência e continuar vivendo, buscando uma condição melhor, cada ser humano deve guardar dentro de si apenas um sentimento único, intransferível: a Esperança - se ele a perder, não há mais razão para viver.
Dora, e a trama aos poucos revelará isso, é uma mulher que expressa plenamente essa espécie de banalidade existencial, egoísta e ilusória, que numa noite, ao voltar do trabalho, defronta-se com uma situação, a princípio incômoda a qualquer um, sua geladeira parou de funcionar. Sua reação, no entanto, é de absoluto pavor e desespero.
Essa resposta aparentemente exagerada, ou meramente histérica, começa a ser desvendada com sua interação com o técnico que contata para providenciar o conserto.
Esse homem de “sabedoria” primária, Seu Japonês, faz o contraponto cômico à tragédia de Dora, que vai sendo desvendada; porém o efeito de “grilo falante” acaba sendo desastroso, pois ele é tão falso e ilusoriamente “racional” quanto as “certezas” existenciais de Dora.
Depois que, mesmo a contragosto, encara seus sentimentos “congelados”, quando o desespero a leva a revisitar todas suas vivências passadas, reais ou contaminadas por nostálgicas idealizações em referências midiáticas, Dora percebe que só o que lhe resta é a sua “verdade verdadeira”, e que só a Esperança pode agora (será que ainda há tempo?), ajudá-la a ter coragem de encarar e enfrentar sua “realidade real”.

O Encontro buscará um clima informal, de livre interação entre os participantes.

O Encontro será realizado em São Paulo/SP, no Estúdio i9, Rua Apeninos, 689 - Paraíso.
As inscrições são restritas a um número de 30 (trinta) participantes, e devem ser feitas através do Email da REVISTA (revistavortice@terra.com.br), informando seu nome completo, até o dia 09/nov. Enviaremos um retorno confirmando a inscrição.

Atenciosamente,


CORPO EDITORIAL

8 de agosto de 2018

VERBETE: DEFESA



Sigmund Freud designa por esse termo o conjunto das manifestações de proteção do eu contra as agressões internas (de ordem pulsional) e externas, suscetíveis de constituir fontes de excitação e, por conseguinte, de serem fatores de desprazer.
As diversas formas de defesa em condições de especificar afecções neuróticas costumam ser agrupadas na expressão “mecanismo de defesa”.
Em 1894, Freud publicou um artigo intitulado “As neuropsicoses de defesa”, no qual a noção de defesa surgiu como o eixo do funcionamento neurótico em relação aos processos de organização do eu.
Desse momento em diante, como é confirmado pelos Estudos sobre a histeria, escritos em colaboração com Josef Breuer, a questão consiste em identificar as modalidades pelas quais o eu, nessa época assemelhado à consciência ou ao consciente, reage às diversas solicitações capazes de perturbá-lo, provocando-lhe efeitos desprazerosos. Esses elementos parasitas podem ter uma origem externa, existindo então a possibilidade de o eu fugir deles ou proceder a investimentos colaterais. A questão é mais delicada, logo de saída, quando os elementos inconciliáveis são de origem interna, pulsional e, mais exatamente, sexual. Numa carta de 21 de maio de 1894 a Wilhelm Fliess, Freud o declara expressamente: “É contra a sexualidade que se ergue a defesa”.
Inicialmente elaborada no contexto da etiologia da histeria, a ideia de defesa adquiriu para Freud um papel discriminador entre as diversas afecções neuróticas, sobretudo no artigo de 1986 intitulado “observações adicionais sobre as neuropsicoses de defesa”. O mecanismo de defesa passou, desse modo, a assumir a forma de conversão na neurose histérica, a de substituição na neurose obsessiva e, por fim, a de projeção na paranóia. Sob esses diversos aspectos, ligados à especificidade da entidade patológica, a defesa visa a um mesmo objetivo: separar, quando essa operação não mais pode efetuar-se diretamente por meio da ab-reação, a representação perturbadora do afeto que lhe esteve originalmente ligado.
Em 1915, a propósito de sua metapsicologia, Freud voltou a usar a expressão mecanismo de defesa, por um lado, no artigo dedicado ao inconsciente, para reunir o conjunto dos processos defensivos (em todos os tipos de neurose), e, por outro, no artigo consagrado aos destinos das pulsões, para evocar as diversas formas – recalque, reversão e inversão – da evolução de uma pulsão. Em sua carta a Wilhelm Fliess de 6 de dezembro de 1896, dedicada à instauração do aparelho psíquico, Freud já assemelhava a defesa ao recalque: “A condição determinante de uma defesa patológica (isto é, do recalque), portanto, é o caráter sexual do incidente e sua ocorrência numa fase anterior”.
Em 1926, no suplemento a seu livro Inibições, sintomas e angústia, Freud volta a essa assemelhação, evocando, em primeiro lugar, as razões pelas quais abandonou a expressão “processo de defesa”. Em seguida, reconhece havê-lo substituído pelo processo de recalque, sem esclarecer a natureza da relação entre essas duas noções. Assim, propõe conservar o termo recalque para designar alguns casos de defesa, a saber, aqueles que estão ligados a afecções neuróticas específicas – e usa o exemplo da ligação precisa entre recalque e histeria -, sendo “o velho conceito de defesa” utilizado para englobar os processos de orientação idêntica, a da “proteção do eu contra as exigências pulsionais”.
Com os trabalhos de Anna Freud, a noção de mecanismo de defesa voltou a se tornar central na reflexão psicanalítica e assumiu até mesmo o valor de conceito. Para a filha de Freud, os mecanismos de defesa interviriam contra as agressões pulsionais, mas também contra todas as fontes externas de angústia, inclusive as mais concretas. O desenvolvimento dessa perspectiva globalizante implicou uma concepção do eu que marcava um retrocesso em relação à que fora expressa por Freud no contexto da grande reformulação teórica da década de 1920. O eu voltou a se tornar sinônimo de consciente, foi assemelhado à pessoa, e o objetivo da psicanálise passou a consistir em ajudar as defesas da pessoa para consolidar sua integridade. Essa concepção encontrou meios de se expandir na corrente da Ego Psychology. Foi fortemente combatida, sobretudo por Jacques Lacan, em diversos artigos dos anos de 1950-1960, onde o autor dos Escritos a denunciou como uma transformação da psicanálise num processo adaptativo, numa forma de ortopedia social contra a qual ele empreendeu seu “retorno a Freud”.
Para Melanie Klein, o conceito de defesa e as formas que ele pode assumir estão inscritos na fase arcaica, pré-edipiana, e concernem tanto aos elementos externos internalizados, ou submetidos a tentativas de controle, quanto aos elementos pulsionais.

OBS.: Este verbete foi redigido por Elisabeth Roudinesco e Michel Plon para o Dicionário de Psicanálise.

18 de junho de 2018

CINE VÓRTICE




A REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE tem o prazer de convidar para mais uma edição do CINE VÓRTICE.
No evento, será exibido o filme "MY FAIR LADY" (George Cukor, Estados Unidos, 1964). Após a exibição será aberta uma pequena discussão sobre o filme.

Data: 14/jul/2018, das 14h às 18h.
Local: Rua Apeninos, 695 – Liberdade, São Paulo/SP.

A sessão terá início, impreterivelmente, às 14h15min.

As inscrições devem ser feitas até o dia 12/jul através do E-mail da REVISTA, informando nome completo (revistavortice@terra.com.br). Só poderão participar do evento as pessoas previamente inscritas, pois haverá uma “lista de presença”. As inscrições estão limitadas a um número de 25 pessoas.

SINOPSE & FICHA TÉCNICA
“MY FAIR LADY” é um filme estadunidense de 1964, do gênero “comédia musical”, dirigido por George Cukor e baseado na peça teatral “Pigmalião” (sucesso da Broadway), de George Bernard Shaw.
O filme conta a história de Eliza Doolittle, uma espivetada mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres em busca de uns trocados. Em uma dessas rotineiras noites, Eliza conhece um culto e arrogante professor de fonética, Henry Higgins, e sua incrível capacidade de descobrir muito sobre as pessoas apenas através de seus sotaques. Quando ouve o horrível sotaque de Eliza, aposta com o amigo Hugh PiCkering, que é capaz de transformar uma simples vendedora de flores numa dama da alta sociedade, num espeço de seis meses, depois de um rigoroso treinamento. Mas, quando a humilde florista conquista a elite londrina, seu professor vai aprender mais do que uma lição.
Audrey Hepburn nunca esteve tão maravilhosa quanto neste show musical de tirar o fôlego, que ganhou oito Oscar da Academia, incluindo Melhor Filme. A atuação de Hepburn, com seu estilo doce e espirituoso fez de “MY FAIR LADY” um clássico de todos os tempos.

Estados Unidos, 1964, 170 min.
Direção de GEORGE CUKOR, com AUDREY HEPBURN e REX HARRISON.
Roteiro de ALAN JAY LERNER.