30 de agosto de 2010

DESTAQUE ESPECIAL: VI Workshop Produção Escrita e Psicanálise - Movimentos pelo escrito: do medo ao entusiasmo



Quais significados são atribuídos para os atos de ler e escrever por parte daqueles que se propõem a sustentar este exercício em contextos públicos? Em 2004, esta questão deu origem ao Grupo de Estudos e Pesquisa Produção Escrita e Psicanálise - GEPPEP, atualmente composto por 33 participantes (11 doutores, 6 doutorandos, 6 mestres, 9 mestrandos, 1 graduado e 2 graduandos). Conjuntamente, os membros do GEPPEP interrogam a produção escrita contemporânea, tomando, em sua maior parte, versões de textos escolares e científicos como objeto de análise. Assim, nossos esforços voltam-se para a elucidação de uma produção escrita que é fruto de uma época na qual, face a uma degradação do saber constituído, a concepção de Sujeito formulada no momento em que havia uma predominância da Ética Racionalista, já não mais funciona tão bem. Levamos a derrocada do duplo Sujeito da Modernidade em conta. Portanto, não mais trabalhamos nem com o Sujeito Crítico (kantiano) nem com o Sujeito Neurótico (freudiano). Alertas para o surgimento de um novo Sujeito, Pós-moderno, temos considerado o trabalho de autores que defendem a hipótese de que, graças à configuração político-econômica da contemporaneidade, está ocorrendo a decadência da figura do grande Outro. Partindo de uma teorização psicanalítica calcada no último ensino de Jacques Lacan, estamos lidando com uma teorização de Sujeito que o toma tal qual ele se constitui na contemporaneidade e, a partir dela, buscando novos modos de conduzir a formação para a leitura e a escrita. Em uma sociedade que não mais parece ser organizada pelo Complexo de Édipo, que ressignificações se tornam necessárias para:
a) compreender os impasses na aquisição do sistema alfabético de representação?
b) escrever textos acadêmicos que obtenham sustentação dos pares e possam circular em ambientes nos quais dedica-se à produção e à transmissão de conhecimentos?
Esta discussão é o cerne do projeto de pesquisa coletivo Movimentos do Escrito, realizado conjuntamente de 2009 a 2012.

Os membros do Grupo de Estudos e Pesquisa Produção Escrita e PsicanáliseGEPPEP, tomaram a obra “Coração de Tinta”, de Cornélia Funke, como mote para refletir a respeito dos impasses com que o Sujeito Contemporâneo se depara ao se engajar na tentativa de realizar uma produção escrita singular.
Tal qual Maggie, protagonista do romance, muitos pesquisadores extraem ensinamentos valiosos a partir do deciframento dos dados de seus estudos, e assim descobrem a possibilidade de acenderem a patamares inimaginados no que se refere à elaboração teórica, ou, ainda, vivenciam situações de angústia ao se defrontarem com as peculiaridades do trabalho que uma escrita rigorosa requer.
Em 2010, portanto, o GEPPEP examina as possibilidades que se colocam na atualidade para aqueles que visam a acrescentar algo singular à produção acadêmica por meio da escrita, colocando em cena os diversos percursos trilhados e também examinados nos estudos desenvolvidos no decorrer do ano.

21 e 22 /out/2010
Auditório da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Inscrições: seção de Apoio Acadêmico da Faculdade de Educação da USP - Sala 103 Bloco A
Informações: geppep@usp.br
Telefone para contato: (11) 3091-8260