3 de agosto de 2011

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: KARL ABRAHAM


KARL ABRAHAM, psicanalista alemão, um dos primeiros discípulos de Freud, nasceu em 03 de maio de 1877 (Bremen, Alemanha) e faleceu em 25 de dezembro de 1925 (Berlim, Alemanha), aos 48 anos de idade, vítima de uma doença nos pulmões. Encontrou Freud pela primeira vez em novembro de 1907, numa visita que lhe fez em Viena, onde foi incorporado ao grupo de seus colaboradores mais próximos (o Comitê dos Sete Anéis – em função dos anéis entregues por Freud, como símbolo de confiança). Estabeleceram um laço de amizade que durou até seu falecimento. Em uma ocasião, Freud se referiu a ele como “meu melhor aluno”. Ainda em 1907 estabeleceu-se em Berlim, onde iniciou uma clínica psiquiátrica. Tinha grande capacidade de ensino, tendo realizado certo número de análises didáticas. Assistiu a todos os Congressos da Associação Psicanalítica Internacional realizados até sua morte, tendo sido eleito presidente da Associação em 1924 e reeleito no ano seguinte.

Abraham acabou seus estudos em Medicina em 1901 e entrou em contato com o grupo psicanalítico de Zurique, através de Jung. Em 1906, casou-se com Hedwig Bürgner, com que teve um casal de filhos. A filha, Hilda Abraham, também psicanalista, escreveu uma biografia sobre o pai “Karl Abraham: Biografia inacabada”.

Em 1908, fundou a Sociedade Psicanalítica de Berlim, que presidiu até sua morte. Sua iniciativa o transformou no primeiro psicanalista alemão a ter um consultório psicanalítico particular.

No congresso de Munique da Associação Internacional Psicanalítica de 1913, Abraham coordenou a oposição contra Jung, quando este renunciou à presidência da Associação e Abraham foi nomeado presidente provisório. A partir do nono congresso presidiu a instituição durante quinze anos. Durante a Segunda Guerra Mundial, criou uma unidade psiquiátrica na frente oriental e esteve quatro anos a cargo da mesma.

Foi analista de Melanie Klein entre 1924 e 1925, e preparou também outros psicanalistas ingleses. Na Alemanha, atuou como mentor de um influente grupo de analistas, como Karen Horney, Helene Deutsch e Franz Alexander.

De acordo com Ernest Jones, na Introdução do livro de Abraham “Teoria Psicanalítica da Libido”, esse autor desenvolveu e publicou diversos artigos interessantes sobre sonhos e mitos, ejaculação precoce, neuroses de guerra e o complexo de castração nas mulheres.

Seus estudos sobre a evolução da libido e a formação do caráter, publicados no livro acima citado, tratam de conceitos que só vieram a ampliar as idéias psicanalíticas do início do século XX. Abraham fez aproximações entre a melancolia e a neurose obsessiva, ressaltando que nessa última, nos casos graves, a libido não pôde desenvolver-se de maneira normal, porque o amor e o ódio, as duas tendências opostas, estão sempre interferindo uma com a outra. Um alto grau de ambivalência pode ser percebido em ambas as enfermidades. Indicou que os sintomas obsessivos se achavam presentes, com certa frequência, nos casos de melancolia, e que os neuróticos obsessivos estão sujeitos a estados de depressão.

Entretanto, destacou que apesar de sua relação comum com a organização sádico-anal da libido, a melancolia e a neurose obsessiva mostram diferenças fundamentais não apenas no que se refere à fase à qual a libido regride no início da doença, mas também na atitude do indivíduo para com o objeto, já que a melancolia abandona o objeto, ao passo que o obsessivo retém, sendo que o processo de regressão na melancolia não se detém no nível mais antigo da fase sádico-anal, mas retrocede em direção a organizações ainda mais primitivas da libido.

Abraham atribuiu às fixações orais e à boca como zona erógena a dificuldade de algumas crianças de dormirem ininterruptamente à noite; acordam e fazem saber que desejam o seio ou a mamadeira ou encontram um substituto.

Deu destaque ao desmame e às suas consequências, destacando que as mães neuróticas retardam o desmame dos filhos por um longo tempo, pois o ato de oferecer o seio para ser sugado é fonte de prazer. Em contrapartida, algumas crianças neuroticamente predispostas reagem à tentativa do desmame ingerindo pouco leite, obrigando a mãe a ceder, em alguns casos podendo essa dificuldade persistir até a idade escolar.

Ainda tratando do processo da melancolia, demonstrou que em alguns casos onde o paciente recusa-se a ingerir qualquer alimento, ele está, na verdade, se punindo por seus impulsos canibalescos. Conclui que o melancólico está sempre tentando fugir de seus impulsos sádico-orais, enquanto que por trás desses impulsos existe o desejo de uma intensa atividade de sugar.

Apesar de ter sido um dos discípulos mais fiéis de Freud, Abraham expressou algumas dúvidas sobre a idéia do instinto de morte. Seu comportamento otimista lhe fez receber com interesse a oferta de Samuel Goldwyn, que, em 1924, quis produzir um filme sobre a psicanálise, com Freud como assessor. Abraham viu nesta oferta uma ocasião extraordinária para popularizar a psicanálise, mas se chocou com o repúdio indignado de Freud e de outros colegas.

Como Jung, Géza Róheim e Otto Rank, Abraham tratou de utilizar a teoria psicanalítica para explicar os mitos, lendas e tradições populares. Em sua concepção, “o mito é um fragmento da vida psíquica infantil dos povos, contém (em forma velada) os desejos da infância dos povos”.

Colaborou com seu mestre no estudo dos transtornos maníaco-depressivos, aos quais Freud dedicou seu ensaio “Duelo e melancolia” (1917). Revisou a teoria freudiana sobre as etapas do desenvolvimento da criança (oral e anal), propondo dividir cada uma delas em duas fases.

Em sua obra abordou também outros temas, como a oralidade, as psicoses, as neuroses de guerra e o vício em drogas.


FONTES
FEBRAPSI http://febrapsi.org.br/resenha.php?texto=resenha_Abraham
WIKIPÉDIA http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Abraham