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Mostrando postagens de Setembro, 2011

A ANGÚSTIA É LÍQUIDA (Mariana Giorgion)

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A angústia, pra mim, é líquida, Mata de sufoco e engasgo, Como a água. A angústia empurra, exige, impera. Desenha o desejo que eu não posso aceitar. Desespera, e, mesmo me calando, Me sujeitando, Me enganando, Não cessa. E me contorço, Me rasgo, Me quebro Na busca de parar o rio. E descubro que, Contra a maré do âmago, Ninguém pode.

O PÉ DE INFÂNCIA (Juan Salazar)

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Estive ausente: conjuntivite. No reencontro com Josué ele me recebe com um presente, um canudo envolto num papel qualquer. Trata-se dum calendário evangélico. Em seu cabeçalho, letras garrafais anunciam: IMPRESSIONANTE! O SENHOR JESUS OPERA SINAIS E MARAVILHAS: FAZ PARALÍTICO ANDAR, MUDO FALAR, CEGO VER, SURDO OUVIR E TODOS OS TIPOS DE MILAGRE. Jesus, o onipresente de muitas de nossas andanças. Igreja Universal, Deus é amor. Quando você vai aceitar Jesus? – Josué repete. Agradecido o presente, saímos para a rua. Seu presente é como uma tentativa de cura da minha conjuntivite – digo, na tentativa de curar minha ausência também. Cura não, milagre; afinal, Jesus faz cego ver e inclusive o olho parar de arder: faz ver o ausente no presente. Ele à frente, sem destino: o caminho se repete.A Igreja Universal se aproxima, penso, aflito. Para onde vamos hoje? – interrompo o caminho. Para onde você quer ir? – ele responde, quebrando seu silêncio. Que tal a praça da paineira? Ele aceita o destino su…