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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

NOSFERATU: A SOMBRA DO DESEJO (Diego Tiscar)

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"As terríveis experiências de vida fazem-nos pensar se o seu protagonista não é, ele mesmo, algo de terrível." (Nietzsche)
Possuo duas grandes paixões nesta vida: o Cinema e a Psicanálise. Como toda paixão, estas são ciumentas, disputam pela titularidade, se digladiam para ver quem assume o destaque em meu texto. Psicanálise e Cinema ou Cinema e Psicanálise? Talvez tenha sido este o motivo pela demora em escrever uma crítica psicanalítica/cinematográfica. Talvez esteja sendo simplista comigo mesmo, evitando um mergulho direto no vórtice. Quem é o autor deste artigo? O analista? O cinéfilo? O escritor? Ou aquele que se acredita um escritor? Esta é a grande dúvida do elenco da filmagem de Nosferatu: na fantasia "A Sombra do Vampiro" quem é o protagonista do filme? Quem interpretará o Conde Orlock? Dúvida que rapidamente torna-se nossa, do público, do ator. Vampiro? Drácula? Uma pobre criatura solitária ou um assassino cruel? Este brilhante suspense com doses dramáticas …

A FRESTA (Marcos InHauser Soriano)

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O que é o Amor? – Um conto simples, dito de muitas maneiras.
(ÉMILE ZOLA)

Ela se viu assim, de repente, a surgir perambulando pela rua, sozinha, perdida. Uma rua sozinha, uma rua perdida... Uma, dentre tantas delas, a perambular – ato de caminhar sem destino certo. Naquele momento não havia o como pensar, havia apenas um corpo a perambular pela rua sozinha. Ouvi uma vez, de um velho amigo, que em certa medida o autor se funde com o texto. Não sei bem ao certo se este texto se faz psicanalítico, mas sei que é disto que se trata: de uma fusão, de uma sala de análise, de uma história contada desta maneira. A Sala de Análise comparece onde se presentifica o Analista.
Pra se viver do amor (...) Há que penar no amor (...) Há que apanhar e sangrar e suar (...) E é um veneno medonho (...) É por isso que se há de entender (...) O amor é sacrifício, o amor é sacerdócio. Amar é iluminar a dor (...).” (“Viver do Amor”, da “Ópera Do Malandro”, de CHICO BUARQUE, 1979)
Ela, tempos atrás, por opção, ab…

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: SRA. EMMY VON N.

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SRA. EMMY VON N., pseudônimo de FANNY MOSER, paciente de Freud apresentada nos “Estudos sobre a Histeria” de 1985 - a paciente na qual Freud disse ter utilizado pela primeira vez o método “catártico”. Nascida Fanny von Sulzer Wart, a 29 de julho de 1848 na antiga Livônia, em uma nobre e antiga família de Winterthur, com a idade de 23 anos casou-se com Heinrich Moser, um riquíssimo homem de negócios, quarenta anos mais velho e já pai de dois filhos. Com a morte do marido, Fanny herdou toda a sua fortuna, sendo inclusive acusada de envenená-Io. A suspeita de assassinato pesaria tão forte sobre o seu destino, que ela nunca conseguiria realizar o seu desejo mais caro: ser recebida nos salões da aristocracia européia. Levou uma vida errante, teve amantes entre os seus médicos, e acabou apaixonando-se por um jovem que se apoderou de boa parte da fortuna. Fixou-se enfim em Au, perto de Zurique, em um “castelo”, onde faleceu a 02 de abril de 1925. Suas duas filhas foram marcadas, cada uma à sua …