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Mostrando postagens de 2012

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: MISS LUCY R.

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MISS LUCY R.é o pseudônimo do segundo caso clínico apresentado por Freud nos “Estudos sobre a histeria”. Trata-se de uma governanta britânica atendida durante nove semanas, a partir do início de dezembro de 1882. De trinta anos de idade, encaminhada por um colega médico que a tratava de uma rinite purulenta crônica, sujeita a frequentes recaídas, essa “jovem inglesa de constituição delicada”, governanta na residência do diretor-gerente de uma fábrica nos arredores de Viena, já havia perdido completamente o olfato, sofria de analgesia no nariz, e afundava num estado depressivo acompanhado de alucinações olfativas de cheiros de pudim queimado, que logo foram classificadas por Freud como de origem histérica.  “Resolvi, então, tomar como ponto de partida da análise esse odor de pudim queimado.” Mas o tratamento, que poderia ter sido rápido, foi mais difícil de conduzir, porque a paciente, que trabalhava, só podia ir ver Freud durante o seu horário de consultas, o que fazia com que ele não lh…

RESENHA: “O HOMEM QUE SE ACHAVA NAPOLEÃO: POR UMA HISTÓRIA POLÍTICA DA LOUCURA” - de Laure Murat

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MURAT, Laure (2012) O homem que se achava Napoleão: por uma história política da loucura. São Paulo: Três Estrelas.


A História da Loucura pode não levar em conta a Loucura da História? – esta é a questão a ser respondida por Murat neste fascinante passeio pela História e pela Psiquiatria. Élisabeth Roudinesco escreve em Le Monde des Livres: “Todos os médicos da alma se perguntaram se os distúrbios políticos tinham um papel na eclosão do delírio e na aparição da loucura. Em ensaio muito bem documentado e apoiado em arquivos inéditos, Laure Murat revisita essa problemática de maneira resolutamente nova.” Murat vai mais longe. A historiadora faz um minucioso levantamento de fatos e registros, debruçando-se sobre arquivos e documentos inéditos que marcaram a França de 1789 a 1871, guardados nos hospitais Bicêtre, Salpêtrière, Sainte-Anne e Charenton, para examinar as relações entre Política e Loucura – um mergulho profundo que expõe as consequências dos eventos revolucionários na vida psíqui…

O MEDO: AMIGO OU INIMIGO? (Henrique Senhorini)

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Texto apresentado na “Jornada Mal-Estar na Cultura: O Medo”, realizada nos dias 31 de agosto e 01 de setembro de 2012, no Sindicato dos Professores de São Paulo - SIMPRO-SP

O que me levou a fazer essa reflexão foi o medo. Eu explico: a oportunidade de produzir um texto para publicação suscitou, em mim, uma sensação de surpresa, seguida por uma satisfação - misto de felicidade, reconhecimento, honra e lisonjeio. Mas isso durou muito pouco, porque após aceitar o desafio, assumir compromisso, e cair a ficha da real dimensão desse feito, da importância da publicação e o que ela representa em termos de transmissão, um frio congelante percorreu a minha espinha, de ponta a ponta.
Era disso que se tratava: o medo. E, por um bom tempo, ele me causou certa paralisia, bloqueando o surgimento de um mínimo de organização na elaboração daquilo que me propus a fazer (o medo causa isso?). Bem, a questão que não se calava era: como abordar o tema “Medo” sem cair na vala da Fobia e nem na do Pânico? Dias se…

CONVERSANDO SOBRE FRESTAS: DIÁLOGOS PERTINENTES (Eliana Ribeiro da Silva)

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Artigo inspirado na apresentação da autora no II ENCONTRO “LER & ESCREVER” da REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE, em 19/mai/2012.

Na epígrafe do texto “A Fresta”, de M. I. Soriano, temos a indagação de E. Zola do que seja o amor; ao que ele mesmo responde como sendo um conto simples, dito de muitas maneiras. Continuo, então, esta conversa, anunciando que sobre o amor e o amar, vou dizê-lo à minha maneira, a partir do que a leitura do texto original provocou nesta leitora. Então passo a explicar: não consegui me furtar à tentação de olhar este texto de forma bipartida, isto é, me detendo nas análises da estrutura e do conteúdo. Sem nenhuma dificuldade me peguei tentando fazer o percurso do processo de criação do autor. Identifiquei alguns mecanismos de construção importantes que me auxiliaram na posterior análise do conteúdo. Não há dúvida de que o texto se assenta no gênero psicanalítico, e sobre ele recaem dois olhares que, ao se fundirem, produziram tal gênero que aqui se apresenta. …