12 de abril de 2012

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: JEFFREY MOUSSAIEFF MASSON


JEFFREY MOUSSAIEFF MASSON, autor norte-americano nascido em Chicago, em 28 de março de 1941 como Jeffrey Masson Lloyd, que atualmente reside na Nova Zelândia. Masson é mais conhecido por suas obras sobre Sigmund Freud e a Psicanálise. Sua principal contribuição se deu na organização da “Correspondência Completa de Sigmund Freud para Wilhelm Fliess – 1887-1904”, de 1985 (lançada no Brasil pela Imago Editora, em 1986). Em seu livro “Atentado à Verdade: A Supressão da Teoria da Sedução por Freud”, de 1984 (lançado no Brasil pela José Olympio Editora, em 1984), Masson afirma que Freud pode ter abandonado sua Teoria da Sedução por temer que a concessão à veracidade das afirmações de que suas pacientes haviam sido abusadas sexualmente, iria dificultar a aceitação dos postulados psicanalíticos. Vegetariano radical, tem escrito sobre os direitos dos animais. Masson é casado com Leila Masson, uma pediatra . Eles têm dois filhos. Ele também tem uma filha de um casamento anterior com Therese Claire Masson.
Jeffrey Masson é o filho de Jacques Masson, francês de ascendência judaica, e Diana Zeiger, de uma rigorosa e ortodoxa família também judaica. Seu bisavô, Jeffrey Masson Shlomo Moussaieff, era um cabalista e fundador do Bairro Bukharian, em Jerusalém. Seu avô, Henry Mousaieff, mudou seu nome de família de Moussaieff para Masson. Jeffrey Masson mudou seu nome do meio de Lloyd para Moussaieff. Ambos seus pais eram seguidores do guru Paul Brunton. Sua mãe, Diana, se tornou mais tarde seguidora do místico João Levy. Durante os anos 1940 e 1950, Brunton viveu com a família, declarando designar Masson como seu herdeiro. Em 1956, Diana e Jacques Masson mudaram-se para o Uruguai, por influência de Brunton, que acreditava que uma terceira guerra mundial era iminente.
Por insistência de Brunton, Masson foi para a Universidade de Harvard, para estudar sânscrito. Em Harvard, Masson desilude-se com Brunton. Brunton e sua A influência de Brunton sobre a família Masson transformou-se no assunto do livro autobiográfico de Masson “Guru de Meu Pai: Uma Viagem através da Espiritualidade e da Desilusão”, de 1993. Na Universidade de Harvard, Masson bacharelou-se em 1964 e doutorou-se com distinção em 1970, nas áreas de Sânscrito e Estudos Indianos. Durante o doutorado, Masson também estudou, apoiado por bolsa de estudo, na École Normale Supérieure de Paris , na Universidade de Calcutá , e na Universidade de Poona.
Masson ensinou Sânscrito e Estudos Indianos na Universidade de Toronto (1969-1980), alcançando o posto de Professor. Ele também ocupou, por curtos períodos, nomeações na Brown University, na Universidade da Califórnia, e na Universidade de Michigan. De 1981 a 1992, foi associado de pesquisa do Departamento de Estudos do Sul e do Sudeste Asiático, pela Universidade da Califórnia. Atualmente, Masson é Membro Honorário do Departamento de Filosofia da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

MASSON E A PSICANÁLISE
Em 1970, Masson começou a estudar para se tornar um psicanalista no Instituto Psicanalítico de Toronto, completando um curso de treinamento clínico completo em 1978. Durante este período, ele fez amizade com o psicanalista Kurt Eissler e aproximou-se de Ana Freud, filha de Sigmund Freud. Eissler designou Masson para sucedê-lo como Diretor dos Arquivos de Sigmund Freud, depois de sua morte e do falecimento da própria Anna Freud. Masson aprendeu alemão e estudou a história da Psicanálise. Em 1980, Masson foi nomeado Diretor de Projetos dos Arquivos de Freud, com pleno acesso à correspondência de Freud e outros trabalhos inéditos. Estudando este material, Masson concluiu que Freud poderia ter rejeitado a Teoria da Sedução a fim de avançar a causa da Psicanálise e para manter o seu próprio lugar dentro do círculo psicanalítico, principalmente após uma resposta hostil do famoso sexo-patologista Richard Von Krafft-Ebing e do resto da Sociedade de Psiquiatria de Viena, em 1896 (“uma recepção fria dos jackasses”, foi a forma como Freud descreveu mais tarde a Fliess).
Em 1981, as conclusões controversas de Masson foram discutidas em uma série de artigos do New York Times, por Ralph Blumenthal, para o desespero do establishment psicanalítico. Masson foi posteriormente demitido de sua posição como Diretor de Projetos dos Arquivos de Freud, e despojado de sua participação em Sociedades Psicanalíticas Profissionais. Masson foi defendido por Alice Miller e Muriel Gardiner. Disse Gardiner: “Embora se esforce para não tomar partido, eu o considero um bom trabalhador, cheio de energia, e um estudioso de valor”.
Masson escreveu vários livros críticos da Psicanálise. Na introdução de “Atentado à Verdade: A Supressão da Teoria da Sedução por Freud”, Masson desafiou seus críticos a abordar os seus argumentos: “Minhas conclusões pessimistas podem conter erros. Os documentos podem, de fato, permitirem uma leitura muito diferente”. Janet Malcolm, que entrevistou Masson longamente, escreveu um longo artigo para o New Yorker; artigo que versava sobre esta controvérsia, o que mais tarde se tornaria “Nos Arquivos de Freud”, um livro que também lidou com Eissler e Peter Swales. Masson processou a New Yorker por difamação, alegando que Malcolm o tinha citado erroneamente. O julgamento que se seguiu atraiu atenção considerável, chegando a um desfecho favorável à New Yorker, ao fim de 1994.
Em 1985, Masson organizou, editou e traduziu sua mais importante contribuição ao estudo da Psicanálise: a correspondência completa de Freud com Wilhelm Fliess - depois de ter convencido Anna Freud a disponibilizá-la na íntegra. Ele também pesquisou os lugares e documentos originais do La Salpêtrière, Hospital em Paris onde Freud estudou com Charcot. Masson foi de opinião que a comunidade científica tem sido em grande parte silenciosa sobre sua pesquisa e seus pontos de vista, principalmente sobre a tese defendida no “Atentado à Verdade: A Supressão da Teoria da Sedução por Freud”, ou seja, a verdadeira história que as pacientes de Freud relataram sobre o fato de terem sido abusadas sexualmente na infânci - base sobre a qual Masson construiu sua crítica.

TRABALHOS RECENTES
Desde o início de 1990, Masson tem escrito uma série de livros sobre a vida emocional dos animais. Ele explicou a mudança radical no assunto de seus escritos: “Eu tinha escrito uma série de livros sobre Psiquiatria, e ninguém comprou. Ninguém gostava deles. Psiquiatras os odiaram, e eles eram muito obscuros para o público em geral. Foi muito difícil ganhar a vida, e eu pensei: Enquanto eu não estou ganhando a vida, posso muito bem escrever sobre algo que eu realmente amo: Animais”. 
Masson também escreveu um livro sobre seu novo país de residência, a Nova Zelândia, incluindo uma entrevista com Sir Edmund Hillary.

JEFFREY MOUSSAIEFF MASSON Official Site