8 de agosto de 2012

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: MAX EITINGON



MAX EITINGON, médico e psicanalista, nascido em 26 de junho de 1881 (Mohilev, Rússia), atuou como presidente da Associação Psicanalítica Internacional de 1927 a 1933, vindo a falecer em 03 de julho de 1943 (Jerusalém).
Nascido de uma família judaica ortodoxa, Max Eitingon foi o quarto filho de Chaïm Eitingon, um comerciante de peles bem sucedido, conhecido como "Rei das Peles Brühl", e de Lifschitz Alexandra Chasse.
Após uma série de problemas escolares, relacionados à sua gaguez, Eitingon começa seus estudos de Medicina em 1902, na Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde sua família tinha se instalado desde 1893.
Eitingon trabalhou com Eugen Bleuler em Zurique, no Asilo Psiquiátrico do Burghölzli, e foi - mesmo antes de Carl Gustav Jung - o primeiro psiquiatra a fazer contato com Sigmund Freud, interessado pelo novo método da Psicanálise. Influenciado por Bleuler, Eitingon tem a missão de servir de intermediário entre Freud e a Psiquiatria. As Minutas da Sociedade de Viena assinalam a presença de “M. Eitingon da clínica de Bleuler, como convidado” nas Reuniões das Quartas-feiras, de 23 a 30 de janeiro de 1907.
Fascinado pela Psicanálise e por Freud, Eitingon solicita-lhe uma consulta pessoal. Em 1908 e 1909, realiza-se uma análise de umas cinco semanas, nu quadro nada habitual: durante passeios ao cair da tarde, na companhia de Freud. Acredita-se que nesse momento nasce a primeira análise didática (é lícito supor que Eitingon tenha abordado suas dificuldades de relacionamento com o pai e sua inibição para trabalhar).
Com a ajuda de Jung, Eitingon consegue redigir sua Tese sobre “O efeito do ataque epiléptico sobre as associações mentais”.
Em Berlim, onde a fortuna de seu pai lhe permite uma vida ociosa e agradável no ambiente das Letras e das Artes, casa-se com Mirra Jacovleina Raigorodsky, em abril de 1913, uma comediante do Teatro de Arte de Moscou – o que o deixa com pouca disponibilidade para auxiliar Karl Abraham na implantação da Psicanálise em Berlim.
Durante a Primeira Guerra Mundial, opta pela nacionalidade austríaca e alista-se como médico, juntamente com Ferenczi. Nos hospitais, Mirra trabalha com o marido, como enfermeira voluntária. Eitingon trata com êxito casos de traumatismos de guerra, utilizando-se da hipnose.
Assiste às reuniões da Associação Psicanalítica de Budapeste, faz projetos com Ferenczi, e assiste ao Congresso Psicanalítico de 1918.
O fim da guerra e as dificuldades da política húngara levam-no de volta a Berlim, onde irá dedicar-se totalmente e até o fim de sua vida à causa psicanalítica.
Desde 1919, foi um membro do "Comitê Secreto", ao qual pertenciam os mais próximos colaboradores de Freud. Assume a Direção da Associação de Budapeste, em 1920. Junto com Karl Abraham, também em 1920, fundou a Policlínica Psicanalítica de Berlim (1920-1933) – cuja construção é realizada pelo filho arquiteto de Freud, Ernst - a primeira instituição do gênero no mundo, oferecendo inclusive tratamento psicanalítico à pacientes sem recursos. Eitingon financiava através dos recursos consideráveis ​​de sua família, tanto a Policlínica de Berlim como a Editora Psicanalítica Internacional (1921-1930).
Da Policlínica surgiu Instituto Psicanalítico de Berlim. Em 1923, Eitingon fez importantes contribuições para o estabelecimento de diretrizes para a formação de psicanalistas na escola, o primeiro no mundo a oferecer formação estruturada com base em três pilares fundamentais: a análise didática; a formação teórica através de seminários estruturados, abordando os temas centrais da teoria e; a prática do monitoramento supervisionado nos casos atendidos pelos candidatos durante o período de treinamento.
Eitingon fundou e presidiu em 1925 o Comitê Internacional de Formação Psicanalítica (1925-1943). No Congresso Internacional de 1925, Eitingon foi eleito Presidente da Comissão Internacional sobre Educação, cargo que ocupou até sua morte.
Após a morte de seu pai, uma trombose cerebral deixa Eitingon com paralisia no braço esquerdo. Arruinado e fisicamente deficiente, pronuncia em 13 de junho de 1933, o discurso fúnebre de Ferenczi, em Budapeste. Após ter enfrentado perseguições nazistas pelo tempo que pode, Eitingon deixa a Alemanha em setembro de 1933, a conselho do próprio Freud.
Depois de ter tido de fugir dos nazistas, estabeleceu-se na Palestina, onde fundou a Sociedade Psicanalítica da Palestina (1934) e o Instituto Psicanalítico de Israel.
Em 1938, Eitingon é implicado num processo parisiense (o Caso Plevitskaïa), como suspeito de ser um espião soviético. Nabokov fará disso o tema de uma novela (The Assistant Producer). Marie Bonaparte e René Laforgue testemunham a seu favor. Apesar do reconhecimento oficial do “erro estratégico” do governo francês, calúnias ressurgiriam nos Estados Unidos, em 1988. Seguido de enorme controvérsia, o caso é finalizado, e a memória de Eitingon reabilitada.
Intimo de Freud, a quem está unido desde1910 por uma amizade indefectível, Eitingon é “o primeiro mensageiro a aproximar-se de um homem solitário”, permanecendo como seu confidente nos momentos difíceis. Junto com Ferenczi, desempenha o papel de “discípulo nutriente”, durante os duros anos da guerra. Homem de confiança, Eitingon sempre manteve fidelidade e contato com Freud, sendo de certa maneira o administrador do empreendimento freudiano, solucionando os problemas que surgiam nas sociedades. Eitingon foi autor de cerca de trinta Artigos, e de doze relatórios relativos a congressos psicanalíticos internacionais (incluindo o de Berlim, em 1922, e o de Paris, em 1938).

A linha biográfica seguiu o verbete redigido por Michelle Moreau Ricaud, para o Dicionário Internacional da Psicanálise.