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Mostrando postagens de 2013

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: AURELIA (KRONICH) ÖHM

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AURELIA KRONICH(1875-1929) - sobrenome de nascimento - é uma das pacientes de Sigmund Freud, cujo caso é apresentado sob o pseudônimo de Katharina, nos “Estudos Sobre a Histeria”. Sob a forma de um diálogo, Freud relata um encantador encontro que tiveram em 1893 nos Alpes austríacos (o Raxalpe), quando se encontrava de férias. Em uma taberna, uma jovem garçonete, com a idade de 18 anos, pede conselhos ao doutor Freud a propósito de seus sintomas “nervosos” – falta de ar, vertigens, sensação de sufocamento. Questionada por ele, evoca a cena de sedução traumatizante à qual assistira dois anos antes entre seu tio (o dono do albergue) e sua prima Franziska. Estavam os dois deitados um sobre o outro em uma cama e, ao ver esse espetáculo, Katharina teve acessos de vômitos e de vertigens. Foi em seguida contar a cena à sua tia, que decidiu então abandonar o marido, enquanto Franziska encontrava-se grávida dele. Explorando suas lembranças, Katharina descobre cenas anteriores. Lembra que, quand…

A NEGATIVIDADE DO ATO COMO RESISTÊNCIA AOS IMPERATIVOS DE GOZO DA SOCIEDADE CAPITALISTA (Milena Maria Sarti)

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O que o reclamão ainda não percebeu é que ele está inteiramente apegado a situações que possam legitimar as suas infindáveis reclamações.” (Ricardo Coimbra)


INTRODUÇÃO Pretendo discorrer sobre a atualidade do conceito de “política da negatividade do ato” ou “política Bartleby”, tal como elaborado por Zizek na obra “A visão em paralaxe” de 2006 (2008), em referência à personagem Bartleby do conto “Bartleby: o escriturário (uma história de Wall Street)” de Melville ([1853] 2008), cuja fala emblemática é “I would prefer not to (do)”. Proponho com isso elaborar a forma pela qual a ética do fracasso ou a ontologia negativa em psicanálise lacaniana emerge como um grito do real frente aos imperativos de gozo que organizam a sociedade capitalista, uma vez que para a psicanálise o sujeito do desejo contém algo que vai além do princípio de identidade, ou do lugar oferecido a ele pelo simbólico. Esse algo a mais marca a existência contraditória do sujeito por uma espécie de “tudo é e não é”, pois …

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: SANDOR FERENCZI

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SANDOR FERENCZI, psiquiatra e psicanalista húngaro, nascido em Miskolc, em 07 de julho de 1873, vindo a falecer em Budapeste, em 22 de maio de 1933, foi o oitavo filho de Bernat Ferenczi e Rosa Eibenschütz – que teriam doze filhos. Um dos mais íntimos colaboradores de Freud, originário de uma família de judeus poloneses imigrantes, Sandor Ferenczi foi não só o discípulo preferido de Sigmund Freud, mas também o clínico mais talentoso da história do freudismo. Foi através dele que a escola húngara de psicanálise, da qual foi o primeiro animador, produziu uma prestigiosa filiação de artífices do movimento, entre os quais Melanie Klein, Geza Roheim e Michael Balint. A obra escrita de Ferenczi é composta de numerosos artigos, redigidos em estilo inventivo e sempre ligados à realidade. Grande escritor de cartas, Ferenczi também foi autor de um Diário Clínico, publicado em 1969. Um ano antes de sua morte, havia registrado vários relatos de casos, muitas inovações, assim como as críticas que d…

O CLOSE-UP DA MÃE EM “ELENA” (Ludmila Naves)

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Tive a oportunidade de assistir uma aula magna de Michael Renov – Professor Doutor de Estudos Críticos de Cinema na Universidade da Califórnia – recentemente, no Departamento de Cinema, Rádio e TV da USP. A aula tinha como tema a pesquisa que Renov desenvolve em seu departamento: O Poder do Close-up no Documentário. Segundo Renov: “O contato visual entre sujeito e cineasta é estendido à audiência”. Portanto, quando o sujeito (entrevistado) olha para a câmera num primeiro plano (close-up), o expectador experimenta a sensação de que o personagem está olhando diretamente para ele. Ainda sobre o poder do close-up, Renov continua: “O close-up é a melhor escolha de composição para fortalecer os laços de engajamento e compaixão que podem emergir de um testemunho audiovisual”. A partir desse ponto de vista, proponho analisar algumas escolhas no documentário brasileiro de 2013, Elena, dirigido por Petra Costa. O documentário acompanha a busca de Petra (diretora do filme) pela irmã – Elena - que ao…

III ENCONTRO "LER & ESCREVER" DA REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE: A TRANSMISSÃO EM PSICANÁLISE

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Prezados Leitores,

É com muita satisfação que convidamos para o III Encontro "Ler & Escrever", promovido pela REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE. O Encontro será realizado no próximo dia 06/jul, das 15h30 às 18h, na Rua Cardeal Arcoverde, 833 (cj.1) - São Paulo/SP. O tema será "A Transmissão em Psicanálise", do qual esperamos um diálogo aberto entre os participantes. As inscrições são restritas à um número de 30 (trinta) participantes, e devem ser feitas através do Email da REVISTA (revistavortice@terra.com.br), até o dia 30/jun. Enviaremos um retorno confirmando a inscrição.

Atenciosamente,
CORPO EDITORIAL

SOBRE O TEMPO: DOIS BREVES ENSAIOS (Marcos InHauser Soriano)

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Viver é pôr vírgulas no tempo, e às vezes um pouco de exclamação.” (FABIO HERRMANN)
Este Artigo apresenta-se, através de dois ensaios, numa reflexão sobre o tempo. Acredito ser interessante localizar como pano de fundo, espécie de gestalt brincalhona, dois filmes que se puseram a passar em minha cabeça na ocasião desta reflexão: “De Volta Para O Futuro” (Back To The Future – Robert Zemeckis, EUA, 1985) e “Efeito Borboleta” (The Butterfly Effect – Eric Bress & J. Mackye Gruber, EUA, 2004). Duas ficções-científicas que exploram, para além da deliciosa aventura, a questão do tempo. Tempo que se foi, tempo do vir a ser, tempo que se cria e recria na memória, tempo que se crê num tempo sempre inalcançável, tempo curto, um atemporal Proust “Em Busca Do Tempo Perdido”.
A EUCARISTIA NEURÓTICA Vamos logo... Vamos nos arrumar direitinho... Vamos que estamos atrasados para a missa de domingo. Na missa de domingo vamos celebrar a morte do Senhor, vamos celebrar a ressurreição do Senhor. Olha mulh…

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: WILLIAM SHAKESPEARE

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WILLIAM SHAKESPEAREé considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos. Seus textos literários são verdadeiras obras de arte e permaneceram vivas até os dias de hoje, onde são retratadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura.  Nasceu em 23 de abril de 1564, na pequena cidade inglesa de Stratford-upon-Avon. Filho de John Shakespeare, um bem-sucedido luveiro e subprefeito de Stratford, vindo de Snitterfild, e Mary Arden, filha afluente de um rico proprietário de terras, Shakespeare foi o terceiro filho de uma prole de oito. Nesta região começa seus estudos e já demonstra grande interesse pela literatura e pela escrita. Teve uma vida sem maiores problemas financeiros até os 12 anos, quando o seu pai faliu. A partir daí, Shakespeare começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Mesmo assim, não deixou de ler autores clássicos, novelas, contos e crônicas, que foram fundamentais na sua formação de poeta e dramaturgo. Com 18 anos de …

EDITORIAL ANO IV

A REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE completa em março seu quarto ano de existência. O CORPO EDITORAL gostaria de parabenizar a todos pelo esforço e pela participação nesta empreitada psicanalítica. Desde FREUD, percebemos a importância da LEITURA e da ESCRITA para o desenvolvimento da Psicanálise. Com seus precisos levantamentos bibliográficos nos Artigos Teóricos, bem como na arte de sua escrita, ora romanceada nos Historiais Clínicos, ora metodologicamente perfeita nos Artigos Técnicos, FREUD nos deixou esse legado e essa deliciosa obrigação: LER e ESCREVER. Em 1925, escreve FREUD, incansável: “É quase humilhante que, após trabalharmos por tanto tempo, ainda estejamos tendo dificuldade para compreender os fatos mais fundamentais. Mas decidimos nada simplificar e nada ocultar. Se não conseguirmos ver as coisas claramente, pelo menos veremos claramente quais são as obscuridades”. Ficamos, portanto, com esse desafio: perpetuar a LEITURA e a ESCRITA. Uma LEITURA e uma ESCRITA que permitam um d…

HORIZONTE VERTICAL (Marcos InHauser Soriano)

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O tempo está estável, o mar está calmo. Ótima oportunidade para navegar, para realizar a experiência de encontrar o final do horizonte. Sim, do horizonte. Por que não? De repente, vai ver que a Terra é quadrada e o horizonte desaba numa queda sem fim?!? Angústia!!! Oras, vamos numa jangada, assim, tipo artesanal. Pequena? Só na aparência... Pode entrar tranquilo – balança um pouco, mas cabe todo mundo!!!
O Homem Psicanalítico, objeto da Psicanálise, pode ser compreendido como a crise, a tentativa adaptativa do sujeito em relação ao mundo em que este, o próprio sujeito, se dá como possibilidade de existência. Tentemos descomplicar a ideia: a criatura humana, distante da ideia de uma biologia natural, gera e é gerada por um mundo que não a comporta – como se fizéssemos nossa casa para percebermos não caber nela. No Homem Psicanalítico a identidade está em crise, a realidade está em crise – por crise podemos entender a tentativa de um achado, de um encontro desencontrado. A experiência de e…