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Mostrando postagens de Maio, 2014

MUITAS VEZES OUÇO, ALGUMAS VEZES OBSERVO E QUANDO POSSO EU SINTO... (José Antonio Da Rocha Ponce Soler)

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O presente Artigo trata de uma reflexão sobre a qualidade da presença do analista durante a sessão de análise. O autor classifica três terrenos onde procura organizar algumas ideias a partir de cada um destes: quando o analista ouve; quando o analista observa; quando o analista sente. O autor propõe que tal divisão é uma maneira de organizar a compreensão da experiência a posteriori, tentando aproximar-se do miúdo do que se desenrola em sua experiência emocional quando dentro de cada um destes terrenos.
A ‘observação’ psicanalítica não concerne nem ao que ocorreu nem ao que vai ocorrer, mas ao que está ocorrendo.” (Bion, 1967) “A experiência emocional que o analista pode se valer é aquela de que pode ter consciência e ao mesmo tempo, perceber que tem algum distanciamento da mesma para poder pensá-la. Não quer dizer que aquilo que sente é o que sente o analisando – é um sentimento seu próprio que pode estar sendo mobilizado por algo que está acontecendo no consultório ou por alguma atitu…

O SENTIMENTO DE CULPA NA PSICANÁLISE (Wagner da Matta Pereira)

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O custo de um alto nível de civilização é o sentimento de culpa. (Sigmund Freud)
O sentimento de culpa é algo amplamente abordado pela religião, filosofia e jurisprudência. Para a Psicanálise, é a experiência edípica que inaugura as bases da moralidade; e o superego, sequela deixada pelo Édipo, a instância responsável pela veiculação da culpa. O sentimento de culpa é o pilar da civilização, pois através deste, as pulsões de destruição inerentes ao ser humano seriam redirecionadas para o bem-estar da humanidade (FREUD, 1913/1974). A Psicanálise acredita que sem o sentimento de culpa a humanidade estaria fadada à destruição (FREUD, 1997). Segundo Kahn (2005), existem três tipos de culpa: a ruidosa, que é explícita e consciente ao sujeito; a reservada, que não se anuncia como culpa; e a culpa silenciosa, a que não dá sinal de alerta, mas que pune através de diversos mecanismos, como o sentimento de infelicidade e menos valia. No entanto, em níveis distintos, todo sentimento de culpa pode…

DO EFEITO AO FEITO: MEMÓRIA MADALENA (Thomas Ferrari Ballis)

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O presente texto tem como objetivo apresentar algumas reflexões acerca da memória. Ilustrarei estas reflexões com a memória involuntária tratada por Marcel Proust em “Em Busca do Tempo Perdido”. Mais especificamente na passagem da “madalena, narrada no primeiro volume da obra, intitulado “No Caminho de Swann. Visitar e revisitar os textos freudianos foram de suma importância para o desenvolvimento do presente texto. Do universo teórico freudiano, o tema da memória foi o que invadiu com mais força o espaço do brincar reflexivo deste que agora escreve. Algumas experiências pessoais, outras testemunhadas na sala de análise também contribuíram para a escolha do tema. Algumas delas encontraram ancoragem na teoria freudiana, outras ganharam certa luminosidade nas madalenas de Marcel Proust. A famosa passagem da “madalena” mostra todo o primor literário de Proust. Consagrou-se como uma das mais belas e marcantes do primeiro volume de sua obra. O fato dos psicanalistas frequentemente se util…