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Mostrando postagens de 2015

VERBETES: BENEFÍCIO SECUNDÁRIO

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A noção de um benefício secundário da doença foi introduzida por Freud em sua análise de Dora (“Fragmento da análise de um caso de histeria”), em comentário ao objetivo atribuído à sua paciente de afastar o pai da Sra. K. despertando a compaixão dele com seus desmaios. Freud começa por distinguir os “motivos (Motiv) da doença” dos modos que esta pode assumir, isto é, do material de que são formados os sintomas. De 1905 a 1923, uma nota acrescentada ao texto dessa análise nos faz, contudo, assistir a uma evolução de seu pensamento. “Os motivos da doença”, escrevia ele em 1905, “não participam da formação dos sintomas, tampouco estão presentes desde o início da doença; acrescentam-se a ela apenas secundariamente, mas é só com sua manifestação que a doença fica plenamente constituída. É preciso contar com a presença dos motivos da doença em todos os casos que impliquem sofrimento verdadeiro e que se prolongam por muito tempo. Se no início o sintoma não consegue encontrar nenhuma utilizaç…

V ENCONTRO LER & ESCREVER: REPRESENTAÇÃO E CURA

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AVISO IMPORTANTE
ALTERAÇÃO NO LOCAL DO V ENCONTRO LER & ESCREVER
Por motivos de logística, o V ENCONTRO LER & ESCREVER da REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE será realizado na Rua Tuiuti, 2530 (sala de reunião) - Tatuapé - São Paulo/SP, das 15h às 17h. O número de participantes está restrito a 15 pessoas.

Prezados Leitores
É com muita satisfação que convidamos para, no próximo dia 21/nov/2015, das 15h às 17h, o V Encontro “LER & ESCREVER”, promovido pela REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE. O tema do Encontro será “REPRESENTAÇÃO E CURA”.
Através dos recortes utilizados por THOMAS FERRARI BALLIS, no Artigo “Do Efeito ao Feito: Memória Madalena” (http://www.revistavortice.com.br/2014/05/do-efeito-ao-feito-memoria-madalena.html), onde o autor utiliza-se da narrativa de Marcel Proust (primeiro volume da obra “Em Busca do Tempo Perdido”, “No Caminho de Swann”), pretendemos discutir o lugar da Representação no processo de Cura, relacionando a “qualidade” (ampliação das relações possíveis no ps…

O NOME: DA MORTE AO AMOR EM ROMEU E JULIETA (Diego Tiscar)

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Seria possível imaginar instrumento mais simples de apresentação do que o nome? Desde uma apresentação informal ao preenchimento de um cadastro, o nome é a primeira informação exigida. Ao nos referirmos a alguém em comum usamos seu nome, por vezes recorremos ao nome para falar de um estranho, como tentativa de familiarizar nosso interlocutor daquele desconhecido evocado. Uma das primeiras providências tomadas por uma criança ao ganhar uma boneca, um urso de pelúcia ou um animal de estimação, é lhe dar um nome e, a partir deste momento, aquela entidade passa a ser referida como uma pessoa em conversas dentro de casa e entre amiguinhos.
Parte 1: O Nome Não é de hoje que eu reflito acerca dos nomes. Minha experiência analítica, em especial com pacientes psiquiátricos que carregam algum CID, vem tomando um tempo considerável em pensamentos. Antes de começar um grupo psicoterapêutico, em uma instituição de saúde mental, percebi um paciente novo, me apresentei e em seguida perguntei quem era -…

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: JEAN MARTIN CHARCOT

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Jean Martin Charcot, médico dos hospitais de Paris, professor de clínica de doenças nervosas, membro da Academia de Medicina, nasceu em Paris em 1825 e faleceu perto do lago de Settons (Nièvre) a 16 de agosto de 1893. Juntamente com Guillaume Duchenne, é considerado o fundador da moderna neurologia. Filho de um fabricante de carroças, o Prof. Charcot alcançou, no final de sua vida, uma glória e uma influência científica que não lhe sobreviveram. Sua carreira é espetacular: nomeado médico dos hospitais de Paris em 1856, agrégé de medicina em 1860, médico-chefe de serviço no hospital da Salpêtrière em 1862, professor de anatomia patológica na faculdade de medicina de Paris em 1872, onde sucedeu a Alfred Vulpian, professor de clínica de doenças do sistema nervoso em 1882, numa cátedra criada para ele a pedido de Léon Gambetta. Membro da Academia de Medicina em 1873, da Academia de Ciências em 1883, Charcot alcança o fastígio das honras universitárias, mas a exatidão de suas teorias sobre a…

DIETAR-SE NÃO PODE: A IMPOSSIBILIDADE DE UM CORPO LIGHT (Marisa Siqueira Campos)

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Este Artigo foi originalmente apresentado como Monografia para a obtenção do certificado de conclusão do Curso de Especialização em Psicossomática Psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae, sob a orientação de Aline Eugênia Camargo, em 2014.
INTRODUÇÃO Este texto tem como principal objetivo apresentar a construção de um pensamento clínico-teórico[1], dentro de tantos outros possíveis, sobre a questão do “corpo obeso”. Para tanto, partirei dos pressupostos da Psicossomática psicanalítica, bem como da delineação do que seria o “corpo obeso” (dentre tantos outros corpos possíveis). Primeiramente cabe a questão do sentido do termo “psicossomática psicanalítica”, ou melhor, de certa adjetivação da Psicossomática pela ideia evocada de pressupostos da Psicanálise. Por que Psicossomática psicanalítica? No verbete redigido para o “Dicionário Internacional da Psicanálise” (Mijolla, 2005), Alain Fine já aponta para a dificuldade em definir o termo “psicossomática”, encontrando como denominador co…