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Mostrando postagens de Maio, 2015

ENSAIO SOBRE O FUTURO DE UM PRETÉRITO (Marcos InHauser Soriano)

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“Há sempre um momento na infância em que a porta se abre e deixa entrar o futuro.” (GRAHAM GREENE)
Lá vai a menina a correr pelo terreno baldio, loirinha, loirinha, no auge dos seus cinco anos de idade. O terreno, cheio de mato, é um pedaço de interior no meio da metrópole. Existem vários pedaços de interior dentro da cidade grande, esquecidos, transformados em lixões - restos de tudo aquilo que as pessoas descartam e jogam fora. A menina sente-se rainha entre ratos, baratas e outros bichos, entre os poucos amigos que correm com ela. Brincam com tudo que acham pela frente, brincam com o que os outros descartaram de suas vidas. E correm. Correm livres pelo espaço do terreno perdido no meio da metrópole. Pequenos pezinhos descalços a correr pelo lixo. A menina, com seu vestido esgarçado, corre na frente. Mas corre para onde? Para o futuro que corre... Talvez será bailarina, talvez será cortesã. A curuminha, de cabelo curtinho, loirinho, loirinho – o cabelo deve ser mantido curto para que n…