8 de agosto de 2018

VERBETE: DEFESA



Sigmund Freud designa por esse termo o conjunto das manifestações de proteção do eu contra as agressões internas (de ordem pulsional) e externas, suscetíveis de constituir fontes de excitação e, por conseguinte, de serem fatores de desprazer.
As diversas formas de defesa em condições de especificar afecções neuróticas costumam ser agrupadas na expressão “mecanismo de defesa”.
Em 1894, Freud publicou um artigo intitulado “As neuropsicoses de defesa”, no qual a noção de defesa surgiu como o eixo do funcionamento neurótico em relação aos processos de organização do eu.
Desse momento em diante, como é confirmado pelos Estudos sobre a histeria, escritos em colaboração com Josef Breuer, a questão consiste em identificar as modalidades pelas quais o eu, nessa época assemelhado à consciência ou ao consciente, reage às diversas solicitações capazes de perturbá-lo, provocando-lhe efeitos desprazerosos. Esses elementos parasitas podem ter uma origem externa, existindo então a possibilidade de o eu fugir deles ou proceder a investimentos colaterais. A questão é mais delicada, logo de saída, quando os elementos inconciliáveis são de origem interna, pulsional e, mais exatamente, sexual. Numa carta de 21 de maio de 1894 a Wilhelm Fliess, Freud o declara expressamente: “É contra a sexualidade que se ergue a defesa”.
Inicialmente elaborada no contexto da etiologia da histeria, a ideia de defesa adquiriu para Freud um papel discriminador entre as diversas afecções neuróticas, sobretudo no artigo de 1986 intitulado “observações adicionais sobre as neuropsicoses de defesa”. O mecanismo de defesa passou, desse modo, a assumir a forma de conversão na neurose histérica, a de substituição na neurose obsessiva e, por fim, a de projeção na paranóia. Sob esses diversos aspectos, ligados à especificidade da entidade patológica, a defesa visa a um mesmo objetivo: separar, quando essa operação não mais pode efetuar-se diretamente por meio da ab-reação, a representação perturbadora do afeto que lhe esteve originalmente ligado.
Em 1915, a propósito de sua metapsicologia, Freud voltou a usar a expressão mecanismo de defesa, por um lado, no artigo dedicado ao inconsciente, para reunir o conjunto dos processos defensivos (em todos os tipos de neurose), e, por outro, no artigo consagrado aos destinos das pulsões, para evocar as diversas formas – recalque, reversão e inversão – da evolução de uma pulsão. Em sua carta a Wilhelm Fliess de 6 de dezembro de 1896, dedicada à instauração do aparelho psíquico, Freud já assemelhava a defesa ao recalque: “A condição determinante de uma defesa patológica (isto é, do recalque), portanto, é o caráter sexual do incidente e sua ocorrência numa fase anterior”.
Em 1926, no suplemento a seu livro Inibições, sintomas e angústia, Freud volta a essa assemelhação, evocando, em primeiro lugar, as razões pelas quais abandonou a expressão “processo de defesa”. Em seguida, reconhece havê-lo substituído pelo processo de recalque, sem esclarecer a natureza da relação entre essas duas noções. Assim, propõe conservar o termo recalque para designar alguns casos de defesa, a saber, aqueles que estão ligados a afecções neuróticas específicas – e usa o exemplo da ligação precisa entre recalque e histeria -, sendo “o velho conceito de defesa” utilizado para englobar os processos de orientação idêntica, a da “proteção do eu contra as exigências pulsionais”.
Com os trabalhos de Anna Freud, a noção de mecanismo de defesa voltou a se tornar central na reflexão psicanalítica e assumiu até mesmo o valor de conceito. Para a filha de Freud, os mecanismos de defesa interviriam contra as agressões pulsionais, mas também contra todas as fontes externas de angústia, inclusive as mais concretas. O desenvolvimento dessa perspectiva globalizante implicou uma concepção do eu que marcava um retrocesso em relação à que fora expressa por Freud no contexto da grande reformulação teórica da década de 1920. O eu voltou a se tornar sinônimo de consciente, foi assemelhado à pessoa, e o objetivo da psicanálise passou a consistir em ajudar as defesas da pessoa para consolidar sua integridade. Essa concepção encontrou meios de se expandir na corrente da Ego Psychology. Foi fortemente combatida, sobretudo por Jacques Lacan, em diversos artigos dos anos de 1950-1960, onde o autor dos Escritos a denunciou como uma transformação da psicanálise num processo adaptativo, numa forma de ortopedia social contra a qual ele empreendeu seu “retorno a Freud”.
Para Melanie Klein, o conceito de defesa e as formas que ele pode assumir estão inscritos na fase arcaica, pré-edipiana, e concernem tanto aos elementos externos internalizados, ou submetidos a tentativas de controle, quanto aos elementos pulsionais.

OBS.: Este verbete foi redigido por Elisabeth Roudinesco e Michel Plon para o Dicionário de Psicanálise.

18 de junho de 2018

CINE VÓRTICE




A REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE tem o prazer de convidar para mais uma edição do CINE VÓRTICE.
No evento, será exibido o filme "MY FAIR LADY" (George Cukor, Estados Unidos, 1964). Após a exibição será aberta uma pequena discussão sobre o filme.

Data: 14/jul/2018, das 14h às 18h.
Local: Rua Apeninos, 695 – Liberdade, São Paulo/SP.

A sessão terá início, impreterivelmente, às 14h15min.

As inscrições devem ser feitas até o dia 12/jul através do E-mail da REVISTA, informando nome completo (revistavortice@terra.com.br). Só poderão participar do evento as pessoas previamente inscritas, pois haverá uma “lista de presença”. As inscrições estão limitadas a um número de 25 pessoas.

SINOPSE & FICHA TÉCNICA
“MY FAIR LADY” é um filme estadunidense de 1964, do gênero “comédia musical”, dirigido por George Cukor e baseado na peça teatral “Pigmalião” (sucesso da Broadway), de George Bernard Shaw.
O filme conta a história de Eliza Doolittle, uma espivetada mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres em busca de uns trocados. Em uma dessas rotineiras noites, Eliza conhece um culto e arrogante professor de fonética, Henry Higgins, e sua incrível capacidade de descobrir muito sobre as pessoas apenas através de seus sotaques. Quando ouve o horrível sotaque de Eliza, aposta com o amigo Hugh PiCkering, que é capaz de transformar uma simples vendedora de flores numa dama da alta sociedade, num espeço de seis meses, depois de um rigoroso treinamento. Mas, quando a humilde florista conquista a elite londrina, seu professor vai aprender mais do que uma lição.
Audrey Hepburn nunca esteve tão maravilhosa quanto neste show musical de tirar o fôlego, que ganhou oito Oscar da Academia, incluindo Melhor Filme. A atuação de Hepburn, com seu estilo doce e espirituoso fez de “MY FAIR LADY” um clássico de todos os tempos.

Estados Unidos, 1964, 170 min.
Direção de GEORGE CUKOR, com AUDREY HEPBURN e REX HARRISON.
Roteiro de ALAN JAY LERNER.




8 de abril de 2018

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: HERMANN NOTHNAGEL




HERMANN NOTHNAGEL (1841-1905), médico alemão, aluno do grande anatomista Karl Rokitansky (1804-1878), originário da Prússia, exerceu as funções de professor de medicina interna na Universidade de Viena, de 1892 a 1905. Hostil ao niilismo terapêutico preconizado por seu mestre e por uma parte do corpo médico vienense, foi um clínico humanista, estimado por seus alunos e preocupado com o sofrimento dos doentes. Isso não o impediu de basear o seu ensino no diagnóstico anátomo-patológico, interessando-se pela patologia do sistema nervoso, do coração e dos órgãos digestivos. Sigmund Freud trabalhou como “aspirante” em sua clínica durante seis meses e meio, de outubro de 1882 a abril de 1883.

OBS.: Este artigo segue as diretrizes biográficas redigidas por Elisabeth Roudinesco e Michel Plon, para o Dicionário de Psicanálise.

3 de março de 2018

EDITORIAL ANO IX



A REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE completa em março seu nono ano de existência. O CORPO EDITORAL gostaria de parabenizar a todos pelo esforço e pela participação nesta empreitada psicanalítica.
Desde FREUD, percebemos a importância da LEITURA e da ESCRITA para o desenvolvimento da Psicanálise. Com seus precisos levantamentos bibliográficos nos Artigos Teóricos, bem como na arte de sua escrita, ora romanceada nos Historiais Clínicos, ora metodologicamente perfeita nos Artigos Técnicos, FREUD nos deixou esse legado e essa deliciosa obrigação: LER e ESCREVER.
Em 1925, escreve FREUD, incansável: “É quase humilhante que, após trabalharmos por tanto tempo, ainda estejamos tendo dificuldade para compreender os fatos mais fundamentais. Mas decidimos nada simplificar e nada ocultar. Se não conseguirmos ver as coisas claramente, pelo menos veremos claramente quais são as obscuridades”.
Ficamos, portanto, com esse desafio: perpetuar a LEITURA e a ESCRITA.
Uma LEITURA e uma ESCRITA que permitam um diálogo mais profundo com outras áreas de saber, sempre com o intuito de fazer retornar a Psicanálise às suas origens, ou seja, ser um instrumento de compreensão do Humano, caminhando em direção a uma Ciência Geral da Psique.
Gostaríamos se salientar que a REVISTA não possui qualquer ligação institucional, nem qualquer tipo de registro ou índice de registro acadêmico, dependendo, portanto, do “desejo” e do honesto esforço do CORPO EDITORIAL e dos Autores que queiram participar do convite a um rodopio vertical de ideias, na compreensão do Homem Psicanalítico.
Neste ano de 2018, daremos seguimento ao Encontro de Autores e Leitores da REVISTA, previsto para novembro, com o propósito de favorecer o diálogo com esses dois lugares: LER e ESCREVER.
Teremos também a continuidade do CINE VÓRTICE, agora ampliado em mais encontros, promovendo o diálogo entre Psicanálise e Cinema, no intuito de criar mais um espaço para discussão e, assim, ir em direção a uma clínica mais extensa, que transpasse os limites do consultório padrão. Independentemente da leitura particular desta ou daquela escola psicanalítica, atrelada a determinado autor psicanalítico, deve-se sobrar a Psicanálise. Tentaremos, também, proporcionar o retorno do SARAU, com o objetivo de traçarmos um intercâmbio com a LITERATURA e o TEATRO.
Não podemos esquecer-nos da criação, em 2012, de um sistema de buscas (“Pesquisar na Revista”) e de um espaço reservado para comunicação de nossos leitores (“Palavra do Leitor”). Continuamos com a página no Facebook.
Estamos empenhados em continuar propiciando e aprimorando um espaço aberto de interlocução psicanalítica. Portanto, convidamos todos a participarem com Artigos, Ensaios, Crônicas, e demais formas nas quais a Psicanálise se faz instrumento poderoso.
Estamos em parceria com nossos colegas do SÍTIO – PSICANÁLISE E ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO (http://www.sitioat.com), parceria esta que promete material valioso.
Mais uma vez, muito obrigado a todos que diretamente ou indiretamente participam desta empreitada.

CORPO EDITORIAL

28 de fevereiro de 2018

O SINTOMA - ENTRE ENERGÉTICA E HERMENÊUTICA (Pedro Carlos Tavares da Silva Neto)



Trata-se de um exame teórico das homologias existentes entre o triângulo semiótico linguístico de Charles Sanders Peirce e os três registros psíquicos de Jacques Lacan. Essas homologias são analisadas tendo como interpretante o Sintoma. Se a pulsão se encontra na fronteira entre o psíquico e o somático, o Sintoma é o fenômeno clínico privilegiado para pensar as distintas concepções de energética e de hermenêutica em Freud e em Lacan. 

INTRODUÇÃO
Pretende-se definer, explorer, e utilizar, numa breve vinheta clínica, a diferença obtida entre a linguagem binária de Saussure e a trinitária de Peirce para pensar o Sintoma.  O autor tem procurado trabalhar a teoria e a clínica usando o elemento denonimado interpretante, elemento que Lacan introduz a partir de uma participação em seu Seminário de François Recanati, no qual elementos da Semiótica de Charles Sanders Peirce são pensados em seu ensino. O interpretante pode ser entendido como uma chave de leitura, um significante (ou conjunto de significantes), que traduz outro (ou outros). E nesse processo de tradução revela algo da lógica de uma estrutura. No caso presente - estrutura da linguagem - um discurso lógico sobre hermenêutica e outro discurso lógico sobre energética.
Essa proposta não tem nada de original. Vários autores estudam esses textos e trabalham esses temas. A proposta aqui é citar, de maneira articulada e lógica, tais autores, e disso tirar consequências para a teoria e para a clínica. São hipóteses, meras hipóteses de trabalho, ainda que pelo estilo – ou falta dele - pareçam proposições peremptórias.  A fórmula do fantasma de Lacan é um poderoso operador epistemológico: sujeito e objeto estão definidos por fórmulas outras, mas que podem entrar em operação se necessário.
Espaço e tempo são também trabalhados por Lacan, o tempo lógico com a sincronia e a diacronia, com antecipação e retroação - o importante conceito de a posteriori - e o espaço com a topologia que permeia seu ensino. Aqui se distingue espaço e tempo por razões descritivas, mas lembre-se que Lacan trabalha com espaço/tempo, conceito derivado da Teoria da Relatividade. Mas o que queda elidido dessa operação quaternária (sujeito, objeto, espaço, tempo) - que pode ser reduzida a um par (S barrado punção de a) - é que se faz necessário algo para articulá-los: um interpretante. A partir da intervenção de François Recanati em seus Seminários 19 e 20 – intervenções que não estão traduzidas, nem são encontradas nos Seminários de Lacan publicados em português (o autor usa as versões críticas de Ricardo Rodriguez Ponte para o espanhol1) -, Lacan passa a trabalhar também com as operações semióticas do triângulo de Peirce, composto pelo Objeto, seu Representamen (seu signo ou significante) e seu Interpretante (outro significante).
 
SIGNIFICANTE EM PEIRCE E O OBJETO EM LACAN
No livro “Semiótica” (2000), Charles Sanders Peirce estabelece uma lógica que vai interessar muito a Lacan, composta de Elementos – denominados triádicos – que se relacionam entre si (Objeto, Representamen e Interpretante) e com três outros elementos (Existente Concreto, Qualidade e Lei) denominados Correlatos, também em numero de três, de múltiplas maneiras. O que interessa a Lacan é testar as possibilidades de aproximação deste ternário com os Registros do Imaginário, Real e Simbólico, já nesta época de seu ensino pensados nos termos dos nós borromeus. Primeira definição de signo em Peirce (2000):
Signos são divisíveis conforme três tricotomias. A primeira, conforme o signo em si mesmo for uma mera qualidade, um existente concreto ou uma lei geral. A segunda, conforme a relação do signo para com seu objeto consistir no fato de o signo ter algum caráter em si mesmo, ou manter alguma relação existencial com esse objeto ou em sua relação com um Interpretante; a terceira, conforme seu Interpretante representá-lo como um signo de possibilidade ou como um signo de fato ou como um signo de razão. (página 51)
Gabriel Pulice e Oscar Zeilis, psicanalistas argentinos que publicam um conjunto de artigos sobre o
tema na Revista Imago Agenda2, esclarecem algumas das questões que serão importantes ao longo do trabalho:
Observamos la importancia de esta última aclaración, porque apunta a lo recién señalado acerca de que, en la concepción peirceana, no es necesario suponer un sujeto consciente tal como lo entiende la psicología clásica, y por tanto, el interpretante puede funcionar por fuera de la conciencia, lo que nos permitirá pensar el acto de semiosis como factible de realizarse en procesos inconscientes [1]y, de modo general, entenderlo como una propiedad semiótica y no psicológica. Para no producir confusiones, además, Peirce muchas veces reemplaza, al describir el diagrama, la palabra signo por representamen. Veremos enseguida que en este modelo, la relación signo-interpretante también se podrá leer, por ejemplo, como el encadenamiento de un significante a otro significante. Pero antes veamos cuál es su definición de semiosis: ‘Por semiosis entiendo una acción, una influencia que sea, o involucre, una operación de tres elementos, como por ejemplo un signo, su objeto y su interpretante, una relación tri-relativa, que en ningún caso se puede resolver en una acción entre dos elementos’ (Peirce, 1998). Vale decir, plantea una relación triádica genuina y no reductible.
Destaca-se da citação acima que o interpretante funciona em processos inconscientes (encadeamento de um significante a outro significante), que a relação entre os três elementos é irredutível a qualquer relação diádica, e de que não se trata de propriedades psicológicas, mas de uma ação ou influência da natureza de uma operação lógica semiótica. Segunda Definição de Pierce (apud Pulice e Zeilis):
Defino al Signo como algo que es determinado en su calidad de tal por otra cosa, llamada su Objeto, de modo tal que determina un efecto sobre una persona, efecto que llamo su Interpretante, vale decir que este último es determinado por el Signo en forma mediata. Mi inserción del giro ‘sobre una persona’ es una forma de dádiva (...) porque he perdido las esperanzas de que se entienda mi concepción más amplia en cuestión.
Destaca-se da citação acima o Signo/representamen como algo que determina um efeito chamado interpretante (este por sua vez determinado pelo Representamen de forma mediata – ou seja, dependente da intervenção de terceiros, outros interpretantes). Lacan, no Seminário 19 (apud Pulice e Zeilis):
Lo que el otro día fue puesto en el pizarrón bajo el nombre de ‘triángulo semiótico’, bajo la forma de representamen, de lo interpretante, y aquí del objeto, para mostrar que la relación es siempre ternaria, a saber, que es la pareja Representamen / Objeto, que es siempre a reinterpretar, es eso de lo que se trata en el análisis.
Destaca-se da citação acima que, do que se trata em análise, diante de uma relação sempre ternária, é reinterpretar constantemente a dupla Representamen/Objeto. Um pouco mais adiante, no mesmo seminário (apud Pulice e Zeilis):
¿Qué hace falta sustituir en el esquema de Peirce, para que armonice con mi articulación del discurso analítico? Es simple como los buenos días: a efectos de lo que se trata en la cura analítica, no hay otro representamen que el objeto a, objeto a del cual el analista se hace el representamen, justamente, el mismo, en el lugar del semblante. (Lacan, 1971-1972)
Destaca-se que a única coisa que Lacan indica necessário substituir, entre seu esquema ternário e o de Peirce, é que o objeto a é nomeado como único (“no hay outro”) representamen que conta para a cura analítica.  Alocado como Representamen, não como Objeto. Lacan não diz: para os efeitos da cura em psicanálise, o objeto a ocupa o lugar de Objeto na tríade de Peirce. Ao revés, diz que o objeto a ocupa o lugar de Representamen. E isso tem consequências que precisam ser exploradas. O lugar do Objeto é deixado vazio e o objeto a é alocado no lugar do Representamen.  Interessante agora analisar o elemento denominado interpretante, assim descrito por Umberto Eco (2000):
El Interpretante pode adoptar formas diferentes. Enumeremos algunas de ellas:
(a) puede ser el significante equivalente (o aparentemente equivalente) em outro sistema semiotico. Por ejemplo, pude hacer coresponder um deseno con una palabra
(b) pude ser el indicio directo sobre el objecto particular, que supone um elemento de cuantificacion universal (todos lós objectos como este).
(c) puede ser uma definicion cientifica ingenua del próprio sistema semiotico (por ejemplo, sal por cloreto de sódio e vice-versa).
(d) pude ser uma asociacion emotiva que adquiera uma conotacion fija (perro por fidelidad)
(e) pude ser la traducion de um termino de um lenguaje a outro, su substituicion mediante um sinônimo (página 116)
Um significante visual – imagem – correspondendo a um significante auditivo – palavra. Um método de correlação entre sistemas semióticos distintos. Um método de tradução de um plano (visual) a outro (plano auditivo) por um significante equivalente. Um regime geral de equivalências que se dá por tradução, que pode conter uma definição científica ou ingênua, e que seja motivado por uma associação emotiva que adquira conotação fixa.  Que pode se dar do plano falado ao plano escrito. Entre plano perceptivo e plano motor. Entre o plano biológico e o plano psicológico. Entre o plano somático e o plano psíquico. E que, portanto, se aplica entre os planos Imaginário, Simbólico e Real.
Um exemplo seria o de equiparar Objeto (Existente Concreto) ao Real, Representamen (Qualidade) ao Imaginário, e Interpretante (Lei) com o Simbólico. Mas Lacan deixa bem claro que o objeto a se aloca como Representamen e não como Objeto, o que impediria ao menos a realização dessa correlação, embora não impedisse as demais tricotomias. O que interessa, e muito, é que Lacan começa aqui a rever o fundamento de que o par mínimo, para operar com a lógica dos Significantes e para a produção de significação, seja somente S1/S2. Ele passa a contemplar a possibilidade de operar com um S3: “para mostrar que la relación es siempre ternaria, a saber, que es la pareja Representamen / Objeto, que es siempre a reinterpretar, es eso de lo que se trata en el análisis (apud Pulice e Zeilis). Mais uma vez Peirce: “Um Signo (significante) é um Representamen com um Interpretante mental (apud Pulice e Zeilis). E esse mental pode ser inconsciente. Opera com mais eficácia assim, como sabido desde Freud.  O significante é o que representa o sujeito para outro significante. O significante é o que representa o sujeito para outro interpretante. E esse interpretante, nesta hipótese, oficia como Imaginário. Mas nada impede que funcione nos dois demais registros.
 
O INTERPRETANTE EM PEIRCE E O GOZO EM LACAN
Um exemplo pode esclarecer como operar com o interpretante de Peirce. Se a balança pode ser o signo da Justiça (balança como representamen/signo do objeto Justiça), o significante Justiça pode assumir função de significação pelo interpretante Igualdade. A Igualdade esclarece, filtra, interpreta o que é Justiça; conferindo significação, ela passa a ser o interpretante da Justiça. E o que é justo ou injusto – ou seja, a definição dos atributos do objeto, de suas propriedades, logo, de sua substância - passa a depender do que seja Igualdade. Mas o que é Igualdade? O que é Igualdade depende de outro significante, e este, por sua vez, passa a ser o interpretante da Igualdade. E assim sucessivamente em remissão infinita. 
Se Justiça é entendida como Igualdade – e assim dar a cada um a mesma forma – ou como Equidade – e assim dar a cada um na medida de suas desigualdades – fará diferença? Depende. Por um lado, fará. Um interpretante leva a um caminho distinto do outro. Estipula um impossível. Ou um ou outro. Impossível os dois. A cadeia significante possui leis próprias e, tão importante quanto, memória. Uma memória que é simbólica, mas tremendamente eficaz.  Que registra, no ato mesmo de seu encadeamento, as impossibilidades advindas das escolhas que faço quanto aos interpretantes a serem utilizados. Por outro não. Que é Justiça? É possível em determinado espaço/tempo considerar que é Igualdade e em outro espaço/ tempo considerar que é Equidade. Desde que sejam em espaços/tempos diferentes – ou seja, desde que sejam espaço/tempo lógicos constituídos por cadeias significantes distintas - embora possam ser sincrônicas ou fazerem interseção em determinado ponto – há a realização da distribuição de Justiça de dois modos distintos. Me aproximo da coisa em si, e assim atinjo a Justiça; abordo um fragmento do Real por assim dizer.  
Mas o que é Justiça? Que tal o Justo agora ser Isonomia (distribuição de Justiça por Equiparação), interpretante distinto dos anteriores? E o que é Equiparação? A remissão infinita do significante por outro interpretante se renova e se relança. O que interessa aqui é marcar que nesta remissão infinita, o referente – a coisa em si -, é perdido.  Atinjo a Justiça como objeto, e objeto bastante concreto em seus efeitos, mas não o Justo como coisa em si - Substância do Justo (Substancia do Gozo). Propriedade da linguagem. Impossível de domesticar, de controlar. Um impossível lógico.  A coisa em si, e não o objeto, é que está irremediavelmente perdida.  Estamos todos subordinados aos efeitos inconscientes da linguagem. Linguagem que possui capacidade ontológica e ontica – cria espontaneamente seres e entes, os quais sideram os indivíduos na medida em que tentam apreende-los e captar o que seria o seu ser - é capacidade hermenêutica –, produção incessante de sentidos. Quanto a capacidade ontológica da linguagem, Peirce (apud Pulice e Zeilis):
Si hay algo real - esto es, algo cuyas características sean verdaderas de ello independientemente de si tú o yo, o cualquier hombre o número de hombres las pensamos como siendo características suyas o no — que se corresponda suficientemente con el objeto inmediato — el cual, puesto que es una comprensión, no es real —, entonces , ya sea identificable con el Objeto estrictamente así llamado o no, debería denominarse, y normalmente se denomina, ‘objeto real’ del signo. Por alguna clase de causación o influencia debe haber determinado el carácter significante del signo.
Nesse diapasão de argumentos, o objeto a é um operador lógico (um interpretante) utilizado para deter a remissão infinita da significação – o desejo é sua interpretação -, bem como para determinar – pesquisar a causa -, o elemento que influencia o caráter significante do Representamen, seu “objeto real”. Em Psicanálise, esse objeto – esse referente - é o vazio recoberto pela pulsão. O vazio recoberto pelas bordas das pulsões parciais. O vazio, não uma mítica substância gozante. O referente é o vazio. A pulsão como “objeto real” - elemento que influencia – interfere – e, portanto, determina, causa - o caráter significante, confere significação. Mas o que é a pulsão? Pulsão atualmente é esclarecida pelo interpretante “gozo”. Mas o que é gozo? E o circuito de significação se renova e se relança pela necessidade de novos Interpretantes. 

HERMENÊUTICA E ENERGÉTICA – RICOEUR E FREUD
O filósofo Paul Ricoeur identifica na teoria de Freud uma articulação entre energética e hermenêutica, entre explicação causal e interpretação, entre um sentido e uma força. Essa força, em Freud, se denomina pulsão. E sua concepção e seu cálculo (toda energética é, em última ratio, cálculo) são devedores da querela dos métodos (Methodenstreit) que marcaram o fim do século XIX. No entendimento de Medeiros (2015):
Conforme a distinção estabelecida por Wilhelm Dilthey, o método da Naturwissenchaft (ciência da natureza) baseava-se na explicação, enquanto as Geisteswissenschaften (ciências do espírito) tinham como fundamento a compreensão. Dilthey adota aqui a distinção entre ‘explicar’ (erklären) e ‘compreender’ (verstehen) como marcos distintivos das duas formas de ciência.  De acordo com Paul-Laurent Assoun, para Freud, por outro lado, a interpretação é uma explicação. Assoun afirma que a Deutung (interpretação) de Freud é ‘um procedimento intelectual que explica de modo interpretativo e interpreta fornecendo a causa’. A inovação de Freud em relação a esse debate está em que o ato interpretativo nunca se liberta totalmente do ato explicativo, pelo qual se remonta dos efeitos às causas: Freud está sempre a esperar que, no esforço do estabelecimento de sua ‘ciência’, ‘não se pare antes de ter detectado o nexus entre o acontecimento e o processo’ (Assoun). Ricoeur sustenta que explicação e compreensão são momentos inseparáveis do ato interpretativo: a compreensão precede, acompanha e encerra a explicação; e, em contrapartida, a explicação desenvolve analiticamente a compreensão.
Ricoeur se propõe a superar a distância entre essas duas ordens de discurso e, a partir daí, “atingir o ponto em que se compreenda que a energética passa por uma hermenêutica e que a hermenêutica descobre uma energética (Ricoeur, 1965/1977, p. 67). Ricoeur recusa muitas das interpretações lacanianas, insistindo no fato de que o freudismo não se pode reduzir a uma semiologia, conforme Medeiros (2015):
“‘É que são as palavras que são tratadas como coisas e não o inverso’ (Ricoeur, 1969/1988, p. 168). Um pouco antes, Ricoeur escrevera que ‘se o discurso misto impede a psicanálise de oscilar para o lado das ciências da natureza, impede-a também de se virar para o lado da semiologia: as leis do sentido, em psicanálise, não podem reduzir-se às da linguística proveniente de Ferdinand de Saussure, de Hjelmslev ou de Jakobson’.
Onde há força há sentido e vice-versa. A força pode servir como interpretante do sentido e vice-versa.  Parece que Ricoeur não soube ler Lacan – embora frequentasse alguns de seus Seminários, é famoso seu dito de que nunca conseguiu entender o que Lacan dizia. Mas Lacan leu Ricoeur. E mesmo que assim não fosse, soube explorar como nenhum outro psicanalista as relações entre os dois discursos, articulando força e sentido e conjugando energética e hermenêutica. Onde há força há sentido e vice-versa: Sujeito barrado punção de a. A fórmula do fantasma de Lacan articula hermenêutica e energética, elementos a princípio heterogêneos.  E o sintoma é composto desta mescla de sentido e força. Em dialeto lacaniano: sob o envoltório formal (simbólico) do sintoma, há o real do gozo. Contudo, o problema da Psicanálise é outro, para Ricoeur:
Com que desejos vamos em direção ao problema moral? Em que estado de distorção está o nosso desejo quando colocamos a questão? ‘(...) é preciso compreender que o único poder que a análise oferece ao homem é uma nova orientação do seu desejo, um novo poder de amar’. (...) Aquilo que os homens não dispõem é precisamente do seu poder de amar e de fruir, destruído pelos conflitos da libido e da interdição. (Ricoeur, 1969/1988, p. 191).
Destruído pelo conflito entre hermenêutica e energética, conflito que Lacan formaliza com seu matema da fantasia. Para Medeiros (2015):
No ensaio ‘Hermenêutica e reflexão’ (1969/1988, p. 282), Ricoeur volta-se para a interpretação da religião proposta por Freud em ‘Totem e tabu’ (1913/1996), ‘O futuro de uma ilusão’ (1927/1996) e ‘Moisés e o monoteísmo’ (1939/1996), propondo mostrar como é que uma hermenêutica redutora pode ser compatível com uma hermenêutica restauradora do sentido.
A dinâmica entre uma hermenêutica redutora de sentido e uma restauradora é outra questão trabalhada por Lacan em seus Seminários, e o conceito de Real herda este elemento: para além da redução de sentido, a exclusão de qualquer possibilidade de sentido. Ricoeur também pretende mostrar como a exegese psicanalítica é distinta de qualquer outra, eis que se mantem na dimensão da veracidade e não na do domínio:
Ela não pertence ao empreendimento de dispor de si, da natureza e dos outros homens, mas de se conhecer melhor nos desvios do desejo (Ricoeur, 1969/1988, p. 187). (...). É este processo da ilusão que abre, como em Espinosa, uma nova problemática da liberdade, ligada já não ao arbitrário, mas à determinação compreendida. (...) não o livre-arbítrio, mas a libertação. Tal é a possibilidade mais radical, aberta perante nós pela psicanálise. (Ricoeur, 1969/1988, p. 189)
Esse processo que Ricoeur denomina de determinação compreendida, o sujeito determinado por forças que o antecedem e o ultrapassam. Forças essas que o levarão a buscar o sentido delas, a produzir sentido. A interpretar, e fazer dessa exegese, a tradução - formal em alguns casos, como o da matemática - destas forças que o impelem. Uma hermenêutica que revela uma energética. Pode-se pensar aqui a fórmula da fantasia com seus pólos ou termos invertidos: no pólo do objeto a, o conjunto de forças pulsionais impelentes; no pólo do sujeito (S barrado), a produção de sentido, de uma narrativa que interprete esse conjunto de forças, que as traduza em outra língua ou outro discurso. No pólo do sujeito, a dialética do ser; no pólo do objeto, a dialética do ter. O sintoma produzido pelo conflito entre pulsão e defesa, entre energética e hermenêutica. O sintoma como a divisão do sujeito:
(...), pois essas duas hermenêuticas (da restauração e da redução) ‘têm em comum o caráter de descentrar a origem do sentido em direção a outro núcleo que não é mais o sujeito imediato da reflexão’ (Ricoeur, 1965/1977, p. 54). (...) Sujeito enaltecido, sujeito humilhado: ao que parece é sempre por meio dessa inversão entre o pró e o contra que se faz a abordagem do sujeito; daí seria preciso concluir que o ‘eu’ das filosofias do sujeito é atopos, sem lugar garantido no discurso. (Ricoeur, 2014, p. 30)
Esse descentramento do sentido para outro núcleo que não o do sujeito da reflexão vai ser constantemente ressaltado por Lacan. E o conflito entre um sujeito enaltecido e um humilhado é o que faz surgir, como uma exigência própria do conflito das hermenêuticas, “o meio de enraizá-las conjuntamente na reflexão” (Ricoeur, 1965/1977, p. 55). Essa, por sua vez, “se tornará reflexão concreta, e se tornará tal graças à austera disciplina hermenêutica (Ricoeur, 1965/1977, p. 55). Essa austera disciplina hermenêutica que leva a uma reflexão concreta, no entender de Ricoeur, é assim comentada, e criticada, pelo psicanalista Nelson Da Silva Junior, in “Discurso, número 36, Revista do Departamento de Filosofia da USP, 2007)”:
Para Paul Ricoeur, a especificidade da hermenêutica própria à psicanálise se define enquanto método a partir de uma concepção híbrida da linguagem, a saber, aquela de ser ao mesmo tempo uma hermenêutica e um modelo energético do discurso. O desejo, segundo o autor, sendo o objeto por excelência da psicanálise, seria o responsável por essa duplicidade na natureza da teoria analítica. Objeto essencialmente híbrido, isto é, dividido entre o campo do sentido e o campo das forças pulsionais, o desejo exigiria, por assim dizer, uma hibridicidade correspondente na própria ciência sobre ele fundada. Para o referido autor a semântica do desejo seria mais forte do que sua energética pulsional.
Ricoeur se inspira no modelo da tradução proposto por Dilthey: trata-se de um trabalho de transposição de uma língua a outra, de transformação do incompreensível em compreensível. Esse modelo concebe a tradução como um trabalho que busca transformar o estrangeiro em familiar, supondo, no entanto, desde sempre, algo de familiar neste estrangeiro, isto como uma condição de possibilidade da própria idéia de tradução.
Assim, tal concepção de hermenêutica concebe uma modalidade apenas relativa de alteridade, onde a estrangeiridade do outro, por princípio, jamais poderá ser absoluta, já que ela só se apresenta enquanto uma analogia do próprio sujeito.
Uma hermenêutica derivada da psicanálise pensada nos termos de Paul Ricoeur desembocaria no fechamento diltheyano da hermenêutica, onde o pressuposto de uma identidade de fundo entre o intérprete e seu outro vale como garantia de uma compreensão do todo.
Assim, a hipótese de Paul Ricoeur, segundo a qual a psicanálise teria uma constituição teórica mista, entre uma energética e uma hermenêutica, não chega a reconhecer, em sua abordagem bipartite, uma vocação propriamente hermenêutica da energética freudiana.
Contrariamente à concepção de Ricoeur, podemos conceber a energética pulsional igualmente como uma hermenêutica, e conceber os limites ao campo do sentido impostos pela energética pulsional enquanto um elemento indissociável da própria experiência do sentido. Isso significaria adotar uma concepção de hermenêutica compatível com a inconsistência e a incerteza do intérprete, isto é, uma hermenêutica aberta ao não-sentido como condição do sentido.
A energética freudiana é não apenas uma hermenêutica privada da psicanálise, mas também um limite a uma concepção de hermenêutica como ciência do sentido’ em sentido estrito.” (paginas 140 –141)
Haveria algo então de intraduzível entre a energética e a hermenêutica? Uma heterogeneidade – alteridade radical – entre os dois discursos?  Para boa parte da orientação lacaniana contemporânea parece haver. Uma estrangeiridade absoluta, incompreensível, que se denominaria de instância do Real. Um local onde habita um ente chamado gozo, cujo referente se denomina Coisa. Não se adota aqui essa leitura. Com efeito, supor esta estrangeiridade absoluta - afirmar a Coisa como gozo em si - somente pode ser efetuada por uma operação de linguagem, pela utilização das capacidades ontológicas -  constituição de seres - e ônticas – constituição de entes - da linguagem. Não se consegue ir além da linguagem; toda tentativa de abordar o Real que não seja por formalização matemática termina em invasão imaginaria sobre este mesmo campo do Real.       
De todo modo, parece que a fórmula da fantasia indica esse limite, essa borda – daí um dos vários motivos da topologia lacaniana – que faz corte à produção de sentido e, portanto, faz limite a própria hermenêutica.  A energética pulsional, mediante o ente denominado pulsão, é este operador lógico, esse interpretante, que determina o passo do sentido ao não sentido. A pulsão contorna o vazio (polo do objeto) e induz - ante o vazio e à falta de sentido - a produção de sentido (polo do sujeito barrado).  Ao revés de Ricoeur, que postula uma espécie de harmonização entre a linguagem hermenêutica e a energética, e pretende uma exegese da recuperação do sentido - ainda que “curada” pela aplicação da metapsicologia freudiana – Jacques Lacan formula sua lógica do significante fundada em problemas clínicos específicos e calcada em um momento histórico filosófico denominado de “Giro Linguístico”. Esse movimento, no dizer de Scavino (2000):
Para decirlo rápidamente - porque ya tendremos la oportunidad de abundar sobre este tema -, hablar de un ‘giro lingüístico’ en filosofía significa aquí que el lenguaje deja de ser un medio, algo que estaría entre el yo y la realidad, y se convertiría en un léxico capaz de crear tanto el yo como la realidad. Una de las premisas a partir de las cuales puede pensarse el ‘giro lingüístico’ fue propuesta por Ludwig Wittgenstein en su Tractatus: el lenguaje y el mundo son coextensivos, los límites de uno son exactamente los límites del otro. O dicho de otro modo: mi mundo es mi lenguaje. La otra premisa podríamos encontrarla en Martin Heidegger y dice así: el hombre no habla el lenguaje sino que ‘el lenguaje habla al hombre’, de manera qué lejos de dominar una lengua, como suele decirse, una lengua domina nuestro pensamiento y nuestras prácticas. Para la metafísica, al menos tal como la entiende esta koiné hermenéutica, existía una correspondencia entre las ideas y las cosas que sería expresada por el lenguaje a través de juicios lógicos. De modo que el sujeto mantenía una relación con todas las cosas, o con el mundo, anterior a cualquier nominación lingüística. Verdaderas o falsas, no obstante, son las proposiciones, dirán las filosofías del ‘giro’, por lo menos desde que Aristóteles estableció los fundamentos de la Lógica. Y si quiero refutar una teoría, no puedo remitirme a los hechos ‘tal cual son’ sino emitir otros enunciados, criticar, argumentar, exponer, en fin: hablar. En síntesis, la realidad nunca refutó un discurso o una interpretación de los hechos, siempre lo hicieron otros discursos y otras interpretaciones.” (página 12)
Afora o momento histórico específico, Lacan possuía um percurso clínico marcado pelo tratamento das psicoses – as quais Freud considerava como transtornos narcísicos não analisáveis.  E é em consideração aos problemas clínicos e teóricos da Psicanálise que se adota o sintoma como a formação do inconsciente que melhor ilustra a dinâmica heterogênea entre força e sentido, ainda que prestando todas as homenagens de estilo devidas ao sonho – a Psicanálise não seria sem ele. O autor brasileiro que melhor opera com a fórmula da fantasia, e a relaciona com o sintoma e a pulsão, é Marco Antônio Coutinho Jorge, em seu livro “Fundamentos da Psicanálise – de Freud a Lacan, Volume II”. No dizer do referido autor:
Os sonhos, tal como os devaneios (fantasias diurnas), são realizações de desejos. Contudo, se o núcleo da fantasia permite a Freud aproximar a estrutura do sintoma da do sonho, há uma diferença entre sonho e sintoma. Como pondera Lacan, ‘o sintoma está sempre inserido num estado econômico global do sujeito, enquanto o sonho é um estado localizado no tempo, em condições extremamente particulares. O sonho é apenas uma parte da atividade do sujeito, enquanto o sintoma se esparrama em diversos setores’ (página 47)
E esse esparramar em diversos setores obedece a uma dinâmica, dinâmica que é composta de elementos energéticos e hermenêuticos: num caminho progressivo, flecha do tempo linear para a frente, da pulsão à fantasia e desta para o sintoma. Num caminho regressivo – em análise, por exemplo – do sintoma à fantasia, e desta para a pulsão.  Entre pulsão e sintoma, nos dois sentidos - progressivo ou regressivo - a fantasia.  Daí sua importância estratégica no percurso de uma análise.  Formalizando em matemas o caminho progressivo tem-se: S em relação à demanda do Outro (S barrado punção D maiúsculo), pulsão; (S barrado punção de a), fantasia; (significação do Outro), sintoma. As escrituras dos matemas são organizadas em torno do sinal punção, este podendo ser lido como corte ou borda, bem como sinais lógicos de inclusão, conjunção e disjunção, mais ou menos e maior ou menor. No primeiro patamar do grafo do desejo, o sintoma aparece como um significado do Outro, ou seja, uma mensagem invertida que o sujeito recebe do Outro. Uma cristalização de sentido. Uma fixação. Uma condensação metafórica. Em “O sintoma e o cometa” (1997), Jacques Allain Miller diz:
Lacan toma inicialmente uma perspectiva unilateral para o sintoma, onde este seria unicamente simbólico, e se esvaece quando o sujeito admite uma verdade interpretativa. Essa perspectiva coloca o sintoma no nível da interpretação, que o leva a desaparecer. Assim, o sintoma é um dizer, um dizer do Outro inconsciente, incitado por um querer dizer, resultando num efeito de significação que se escreve s (A), significado do Outro. Logo depois, situou a incidência da fantasia na mensagem do Outro: ($ <> A) s (A). A fantasia, interpretação construída pelo sujeito frente ao enigma do desejo do Outro, aparece no grafo do desejo logo acima do sintoma. Lacan evidencia seu papel fundamental na formação dos sintomas e sua função de tampão da falta, inerente ao desejo do Outro: S (A barrado). (página 8)
Em “Inibição, sintoma e angústia” (1925), Freud afirma que o sintoma pode aparecer, em relação ao eu, como um corpo estranho ou como incluído na satisfação narcísica. No primeiro caso, o eu padece do sintoma; no segundo, sintoma e eu se confundem, ele é ego sintônico.  Lacan acentuará a necessária desestabilização da identificação do sujeito ao sintoma que precede a demanda de análise. Isso supõe, por um lado, uma crise nas identificações e, por outro lado, um fracasso da fantasia em sua função de “máquina de transformar gozo em prazer, como a definiu Jacques-Alain Miller (1983, página 20). Mas um fracasso da fantasia é o fracasso de uma conjunção entre hermenêutica e energética. Se há desestabilização do sujeito ao seu sintoma é porque há disjunção de elementos hermenêuticos e energéticos, disjunção que é uma operação lógica contemplada por Lacan na fórmula da fantasia. Se o sintoma é satisfação substituta, algo no pólo do objeto está interditado ou vacila em relação ao pólo do sujeito. Se o sintoma é formação de compromisso, algo se conjuga entre os pólos do objeto e do sujeito. Se o sintoma é formação reativa, no pólo do sujeito há defesa – e, portanto, recalque, recusa ou foraclusão – quanto ao pólo (pulsional) do objeto.  A concepção do sintoma como satisfação substituta é um bom exemplo da articulação entre aspectos quantitativos energéticos e uma hermenêutica que pode ser denominada de “exegese da substituição”. Em Lacan essa exegese se dará como metáfora, a substituição de um significante por outro.
Nesse sentido, um sintoma é a expressão de um conflito entre pulsão e defesa e a formação de um compromisso conciliatório entre elas. Um compromisso entre energética e hermenêutica. As formações reativas encontradas na neurose obsessiva são outro exemplo disso. Em termos econômicos, a formação reativa é um contra investimento de um elemento consciente, de força igual e de direção oposta ao investimento inconsciente. No que se refere ao sintoma como formação substitutiva, a relação entre energética e hermenêutica é bastante clara, para Laplanche e Pontalis:
Designa os sintomas ou formações equivalentes, como os atos falhos, os chistes, etc., enquanto substituem os conteúdos inconscientes. Esta substituição deve ser tomada numa dupla acepção: econômica, uma vez que o sintoma acarreta uma satisfação de substituição do desejo inconsciente; simbólica, uma vez que o conteúdo inconsciente é substituído por outro segundo determinadas linhas associativas. (página 262)
Com “Para Além do Princípio do Prazer”, Freud passa a contemplar a pulsão de morte e a compulsão à repetição. Proposta polêmica, que provoca dissensões no seio da comunidade analítica, pois questiona a concepção hedonista do homem defendida em todos os tratados de moral, na qual se confunde o Bom com o Bem. Freud mostra o contrário?  Miller chega a propor este matema do gozo: B barrado. O Bem barrado. Assim, se o eu visa o prazer, o sujeito do inconsciente visaria o desprazer, já que o masoquismo é primário. Mas tal concepção necessariamente implica numa suposição da existência do masoquismo originário e de uma exegese do mal, numa equivalência entre o gozo e o mal; logo, numa hermenêutica.

A ENERGÉTICA EM FREUD E EM LACAN
Assim Laplanche e Pontalis iniciam a definição do processo de fusão e desfusão pulsional em seu Vocabulário de Psicanálise (1998):
Termos usados por Freud, no quadro da sua última teoria das pulsões, para descrever as relações das pulsões de vida e das pulsões de morte tal como se traduzem nesta ou naquela manifestação concreta. A fusão das pulsões é uma verdadeira mistura em que cada um dos dois componentes pode entrar em proporções variáveis; a desfusão designa um processo cujo limite redundaria num funcionamento separado das duas espécies de pulsões, em que cada uma procuraria atingir o seu objetivo de forma independente. (página 266)
E é aqui que a leitura e interpretação dos textos de Freud e dos textos de Lacan vão divergir frontalmente, ainda que tal divergência não seja considerada pela maioria dos vários comentadores das obras dos dois. Ainda que Freud faça inúmeras ressalvas quanto ao caráter mítico das pulsões de vida e de morte, e a natureza hipotética de suas formulações, seus sucessores e herdeiros teóricos conferiram status ora ontológico ora ôntico às pulsões, tratando-as como seres ou como entes que habitariam um espaço não atingido pela linguagem. Como coisa em si. É bem verdade que Freud dá a impressão de esquecer estas suas ressalvas em vários momentos de sua obra. Mas Lacan não.  Se Freud trata das pulsões como Existentes Concretos (na terminologia de Peirce) - o que corresponde a epistemologia de sua época – Lacan se beneficia do giro linguístico e da revolução epistemológica advinda da física quântica de seu tempo. Beneficia-se também da filosofia de Heidegger, a qual separa ontologia e ôntica. Vale dizer, não vai tratar das pulsões como se possuíssem status ontológico.  A energética freudiana é cálculo, cálculo acerca de constantes algébricas – denominadas marcos inerciais de referência em linguagem da física da relatividade - e implica uma lógica matemática. É uma formalização pelos matemas. São entes – forças - que não estão vinculados a priori a nenhum ser, mas à falta a ser do sujeito. E quais são os marcos referenciais privilegiados por Lacan? Espaço e tempo. Abordados por uma topologia.  Uma forma lógica de articular energética e hermenêutica. Toda energética supõe uma visão de mundo. E uma ontologia. Mesmo a de Freud. Supõe um conjunto de aprioris. Toda energética supõe uma hermenêutica. É uma imposição lógica dada pela circunstância de que existem seres falantes, que necessariamente precisam recorrer à linguagem.  Determinados pela linguagem mesmo quando há a ilusão de haverem entes anteriores ou independentes dela. Um diálogo entre Hebe Tizio e Jacques Allain Miller – em “O Inconsciente Interprete” - é revelador da energética de Lacan, em toda a sua diferença com a energética freudiana (1995-1996):
Hebe Tizio: (...)¿Cómo la introduce Lacan? Abre la pregunta: ¿el objeto es o no lo real?, o mejor aún, lo que se encuentra en lo real ¿es el objeto? Esta pregunta está en relación a la articulación y ubicación del falo. Antes de responder plantea el tema del objeto y de lo real. Define lo real como lo que se encuentra en el límite de nuestra experiencia. Dice que dado que no está claro lo que se entiende por real distinguirá tres perspectivas. (...) La primera es la realidad definida por la Wirklichkeit; señala la importancia de utilizar el término en alemã porque este se refiere al conjunto de cosas que ocurren efectivamente: aquello que de por sí tiene la posibilidad de producir un efecto; lo toma entonces como el conjunto del mecanismo. En relación a esto hay una reflexión de Lacan sobre el hecho de que los psicoanalistas son prisioneros de categorías que les son ajenas, a la vez que critica el fundamento orgánico en el psicoanálisis. Aparece, en primer plano, lo que se produce en el análisis y la referencia al fundamento orgánico, definido muy claramente, como lo que responde a la necesidad de seguridad de los propios psicoanalistas. Esa perspectiva plantea una oposición que considerará el mecanismo como superficial y la materia como primordial. Ese punto es el que Lacan critica. (página 21)
Lacan distingue três perspectivas no que se refere ao termo “Real”. Na primeira, critica o fundamento orgânico da Psicanálise – a necessidade de segurança que faz o psicanalista prisioneiro de categorias alheias à sua prática.  Da mesma forma, nessa primeira distinção, critica a perspectiva que considera o mecanismo (conjunto de coisas que ocorrem efetivamente – aquilo que, por si, tem a possibilidade de produzir um efeito) como superficial e a matéria como primordial. E as coisas ocorrem, efetivemente, produzindo efeitos (Wirklichkeit – conjunto de coisas que ocorrem efetivamente) por conta do significante. O significante é causa material, formal, eficiente e final. O significante é causa da energética e esta, por sua vez, interage com o significante. A segunda perspectiva de Lacan (apud Tizio):
La segunda perspectiva es el ejemplo de la ‘central hidroeléctrica’ que muestra el carácter mítico de cierta concepción. El ejemplo de la ‘central hidroeléctrica’ y su producción de energía puede entenderse de dos maneras: la primera, es la referencia a la naturaleza, que criticará, entendiendo por ello que la energia estaba ya allí virtualmente; que la corriente del río sería lo primitivo, matéria primitiva que Lacan compara con el maná. La posición de Lacan es, por lo contrario, que la máquina está en el principio de la acumulación de energía. Lo que se acumula tiene relación con la máquina. Por lo tanto la energía no es libre sino que interesa porque se acumula. Aquí veremos la relación que Lacan establece con la estrutura. (página 21)
A máquina, o significante articulado de determinada forma lógica (o que constitui a disciplina denominada Mecânica), está no princípio da acumulação de energia. E a terceira perspectiva de Lacan (apud Tizio):
Dice: ‘Esta necesidad nuestra de confundir la matéria prima, o el impulso, o el flujo, o la tendencia con lo que está realmente en juego es el ejercicio de la realidad analitica representa un desconocimietlto de la Wirkleichkeit simbólica. El conflicto, la dialéctica, la organización de elementos que se combinan y se construyen dan a la cuestión um alcance energético mui  distinto.  Mantener la necesidad de hablar de la realidad última como si estuviera en algún lugar más que en el propio ejercicio de hablar de ella, es desconocer la realidad donde nos movemos’” (pag. 35, Seminário IV)
A necessidade de confundir a matéria, o impulso, o fluxo com o que está em jogo no exercício da realidade analítica representa um desconhecimento da realidade efetiva (da Wirkleichkeit simbólica). Manter a necessidade de falar da realidade última como se estivesse em algum lugar mais do que no próprio exercício de falar dela é desconhecer a realidade onde nos movemos. E Hebe Tizio continua:
(...) Añade que, entre energía y realidad natural hay un mundo, un mundo simbólico. La energía comienza a contar em cuanto hay dos puntos de referencia, los dos puntos de referencia podemos pesarlos como los dos significantes. Pero, dice, lo más importante es que en la naturaliza las materias que empleará la máquina se presenten de manera privilegiada, es decir, como significantes. ‘La central’ se instala allí. Lo precisa de esta manera: Sólo se instala una ‘central’ allí donde algunas cosas privilegiadas se prestam en la naturaleza como utilizables, como significantes y dado el caso como mensurables. Es preciso que se esté ya en la vía de un sistema tomado como significante (pag. 46). A partir de este punto señala que está utilizando esta comparación para revisar la noción de energética que conduce a Freud a hablar de libido, que Freud sitúa em un plano neutralizado que se presenta siempre bajo una forma eficaz y activa. Luego explica retroactivamente el desarrollo que ha efectuado: todo esto sería muy paradójico si se tratara simplemente de una noción que sólo está ahí para permitimos encarnar ese vínculo que se produce a un nivel determinado, estrictamente hablando, a um nivel imaginario en el comportamento de un ser vivo lal presencia de otro ser vivo le está vinculado por los lazos del deseo. La apetencia, efectivamente, uno de los resortes del pensamento freudiano para organizar lo que está em juego em todos los comportamentos de la sexualidad. Después de esta afirmación revisa la definición del Ello: El Ello no es una instancia estrechamiente vinculada con las tendencias y los instintos. El Ello es lo que es susceptible, por mediación del mensaje del Otro, de convertirse en Yo. (página 22)
A energética começa a contar quando há dois pontos de referência, e estes dois pontos de referencias podem ser pensados como dois significantes. O mais importante, contudo, é que a “central” energética só se instala ali aonde alguns elementos se encontram de modo privilegiado como significantes. Dos inúmeros destaques que este conjunto de citações merece, o seguinte é ressaltado: “El Ello no es una instancia estrechamiente vinculada con las tendencias y los instintos. El Ello es lo que es susceptible, por mediación del mensaje del Otro, de convertirse en Yo”. O isso é aquilo que é suscetível, por mediação da mensagem do Outro, de converter-se em eu. Uma frase pouco estudada de Lacan - decerto está distante de suas frases mais famosas -, mas que retira todo e qualquer preconceito substancialista de seu ensino.  Pela mediação da mensagem do Outro, o isso deixa de ser uma instância estreitamente vinculada com as tendências ou com o instinto. A biologia freudiana se afasta definitivamente para não voltar mais em qualquer outro período do ensino de Lacan. Não é relevante se a energia existe antes da “central” significante. O que importa é o funcionamento significante da pulsão. A energia é uma computação, um cálculo. E Lacan nunca variou seu conceito de energia como um cálculo significante. Para Lacan, a energética é atravessada por uma hermenêutica:
Como Ud. ha señalado, en el Seminario II habla de la máquina pero en el Seminario XII lo retama utilizando el ejemplo que da Richard Feynman en su libro de divulgación sobre física donde dice que la ley de conservación de la energía significa solamente que cuando calculamos la energía en un sistema cerrado debemos reencontrar siempre la misma cifra cualquiera sea el número de operaciones efectuadas; esta falta debemos averiguar dónde se ha escondido, así como los niños buscan sus cubos de juego cuando les falta uno.  Esto en 1965. En 1973, en Television tomará la misma referencia contra los que argumentan la idea de la energía natural. Para un físico la energía es una constante numérica, por lo tanto, nada más que significante. Lacan mantendrá esta posición aunque introducirá cierta objeción con el objeto a. ali disse: ‘todo es significante’, dando cuenta de la libido freudiana con el concepto de falo y con el significante del falo.  Todo lo que en Freud es libido -energía- es tratado por Lacan con e! significante del falo en la medida en que, como lo muestra e! ejemplo de ‘la central’ la energía no es algo anterior a lo que produce la máquina. Así, no podemos pensar que el lenguaje sea una superestructura y que en realidad lo que cuenta es una infraestructura sustancial que al mismo tempo no se toma en cuenta en la experiencia analítica. En cierto modo no hay nada anterior a la estructura del lenguaje.No se puede decir que Lacan lo desmienta, ya que el goce, lo que es el goce del ser viviente no es algo de lo que se pueda saber nada antes del lenguaje. Si no hay lenguaje no tenemos idea de lo que es. Y cuando Lacan utiliza el térmiIno ‘resto’, ‘desecho’, eso es un ‘después’ de la operación significante. (página 25)
A linguagem não é uma superestrutura que se superpõe a uma infraestrutura substancial e preexistente, espaço no qual estaria a matéria e a substãncia gozante.  E o gozo do ser vivente, por ser este falante, não pode ser sabido antes da linguagem. Quando Lacan utiliza o termo “resto” isto se refere a um depois da operação significante e não a um momento anterior, pré linguístico. A libido é uma noção que permite encarnar esse vínculo que se produz a um nível imaginário e em relação ao desejo do Outro. Quando, por exemplo, alguém se torna abstinente à drogas pelo ingresso em grupo de mutua ajuda ou em uma igreja evangélica (ou em análise, porque não?), a mudança que se dá na junção entre simbólico e imaginário - sua hermenêutica – impacta e altera sua economia pulsional, modifica sua energética. Em dialeto lacaniano, tratamento do real pelo simbólico. Da mesma forma quando um sujeito muda de estado civil ou ingressa num partido político. No marco individual subjetivo, algumas coisas deixam de fazer sentido, outras passam a fazer sentido, na medida em que alguém adota ou descarta um determinado discurso ou uma determinada prática discursiva. Evidente que o inverso também ocorre. Para sustentar determinada forma de gozar, o sujeito produz uma hermenêutica que a justifique. Todavia, a linguagem é tão determinante para a energética que, na França, houve a criação de uma comissão linguística pela Sociedade Psicanalítica de Paris para definir quais os termos em francês que seriam mais adequados para a tradução dos termos do alemão que fazem referência à fusão e desfusão pulsional. 
Freud utiliza metáforas cujo paradigma é a Química dos compostos; isso supõe sua crença, não só na ciência de sua época, mas também na ubiquidade dos fenômenos químicos. Até o fim de sua vida Freud sustentou e escreveu sua esperança em que uma série de descobertas científicas - físicas e químicas – demonstrariam no futuro o acerto de suas hipóteses ou as substituiriam. Ele era um homem de ciência. Da ciência de sua época. E, de acordo com essas crenças, para explicar a ideia segundo a qual as pulsões de morte e as pulsões de vida se combinam umas com as outras, Freud empregou diversos termos metafóricos da física e da química de seu tempo. Miller, contemporaneamente, também, ao recobrir e orientar sua clínica do real com a visão do gozo – considerado como libido mais pulsão de morte - mortífero e inominável.  Marco Antônio Coutinho Jorge sustenta, entre outros, que a fantasia possui a função de sexualizar, e, portanto, atenuar a pulsão de morte – na linha de Miller, para quem a fantasia é uma máquina de converter gozo em prazer.  A ontologia implícita parace ser no sentido de positivar a sexualidade e negativar a agressividade. Uma espécie de dualismo por antinomia, na qual o par é sexo e agressão, e o valor é positivo para sexo e negativo para agressão.


NA CLÍNICA – INTRINCAÇÃO E DESINTRINCAÇÃO DE PULSÕES PARCIAIS COMO MODOS DE ABORDAR HERMENÊUTICA E ENERGÉTICA
A hipótese clínica é tomar como referência haver a possibilidade de constatar fenômenos de intrincação e desintrincação pulsional no que se refere às pulsões parciais. Essa modalidade de clínica se funda numa determinada leitura dos Nós Borromeus efetuada por um grupo de psicanalistas argentinos – tendo sido objeto de livro escrito pela psicanalista Silvia Amigo, “Clinica de los Fracasos del Fantasma” (2005). Essa leitura, e suas consequências para a clínica, são detalhadas no referido livro e merecem investigação menos superficial do que aqui a elas é dispensada. O que interessa destacar é:
Y que además cada cuerda tiene su agujero, lo que equivale a afirmar que cada cuerda tiene su real. Es decir que hay lo real de lo real, lo real de lo simbólico y ló real de lo imaginario. Cada cuerda tiene su consistencia, es decir que hay: lo imaginario de lo simbólico, lo imaginario de lo imaginario y ló imaginario de lo real.Cada cuerda tiene su simbólico, con lo cual hay: ló simbólico de lo simbólico, lo simbólico de lo imaginario y lo simbólico de lo real.
E aqui há evidência, textual, da homologia entre a Semiótica, de Charles Sanders Peirce, e o modelo dos nós borromeus. Elementos triplos – denominados triádicos – que se relacionam entre si (Objeto, Representamen e Interpretante) e com três outros elementos (Existente Concreto, Qualidade e Lei) denominados Correlatos, também em número de três, de múltiplas maneiras. Em Lacan, elementos triplos que se relacionam entre si (Real, Imaginário e Simbólico) e com três outros elementos (objeto a, gozo fálico e gozo do Outro), também de múltiplas maneiras.  Daqui em diante a fórmula do fantasma como operador epistemológico para pensar o sintoma precisa ser ampliada. É preciso considerar que, até então, havia o campo hermenêutico no pólo do sujeito e o campo energético no pólo do objeto. Simbólico e Real. As operações lógicas de corte, borda, conjunção, disjunção, maior e menor, e mais ou menos, não eram supostas serem animadas por algo ou alguém. Agora, nesta hipótese triádica – hipótese que Lacan já vinha trabalhando através da lógica triádica de Peirce – estas operações podem ser pensadas como localizadas também no Imaginário.
Se até aqui se sustenta que o fantasma é esta articulação estável entre a hermenêutica e a energética de um determinado sujeito, articulação cuja estabilidade permite a esse sujeito identificar-se a ideais e constituir objetos - a se crer ser e a aspirar ter a partir da resposta que se dá ao enigma do desejo do Outro -  evidente que nessa suposição o imaginário é que exerce a função de enlaçar o simbólico e o real. O imaginário funciona aqui como o interpretante dessas operações lógicas. E essa constatação se encontra na obra de Lacan quando seu ensino começa a se debruçar sobre os Nós Borromeus. A partir de então, o imaginário alcança outro status, mais digno por assim dizer, permitindo que a mostração de nós que tanto ocupa Lacan sirva para repensar a função do imaginário em Psicanálise, aproximando-o do status que lhe é deferido pelas matemáticas. Nestas, a imaginação exerce função fundamental.        
A resposta que o sujeito dá ao enigma do desejo do Outro é composta também de elementos imaginários. Lacan nota essa resposta com o símbolo menos phi. O falo imaginário. A notação na formula do fantasma é a sobre menos phi. E corresponde ao registro imaginário da pulsão: a libido. E a significação fálica reaparece em cena:
Poder contestar qué es lo que quiere uno viene luego de haberse podido dar en el fantasma una respuesta acerca de qué quiere el Otro. Es por creer haber podido deducir el deseo en el Otro que puede surgir una respuesta fantasmática que va a decidir cuál ha de ser el deseo de uno. Pero para deducir un deseo en el campo del Otro es imprescindible que el goce del Otro no abrume al sujeto, porque si eso sucede, éste no puede preguntarse por el deseo del Otro. Goce y deseo, que pueden anudarse, se contraponen en este punto. El sujeto no puede, por razones estructurales, y no contingentes, preguntarse ¿qué quiere el Otro? si vive abrumado por un goce del Outro que no da respiro y que no permite, por ende, la menor hendija por donde pueda establecerse el espacio de una lectura del campo del Otro, lectura que precisa de espacio y tiempo para ser efectuada.
Si no quedan intersticios, intervalos, el sujeto, abrumado sin tregua por ese goce, no podrá preguntarse por el deseo del Otro, ni en el sentido-genitivo ni en el objetivo del término. Presa continuamente acosada por el goce, ni siquiera podrá formularse la pregunta por el deseo y resultará evidente que dada la situación jamás logrará esa respuesta singular que es la frase fantasmática. (página 21)
Se o gozo do Outro impede a pergunta pelo desejo do Outro, como se constitui ou se acede à significação fálica? É possível considerar o uso de droga como gozo do Outro a impedir o acesso à significação fálica? Ou então considerar o olhar do Outro como gozo que compromete a manutenção de um marco fálico?
El fantasma no es algo, entonces, que venga dado por el Otro, si bien se deduce en el campo del Otro. Es claro que si el fantasma es respuesta del sujeto a la pregunta ¿qué quiere el Otro de mí?, la respuesta tiene que deducirse en el campo del Otro, porque el deseo del Otro se deduce en ese campo.
Pero no se deduce rápidamente, mal que nos pese. Poder contestar qué quiere el Otro lleva al menos toda la primera vuelta edípica y también toda la segunda. A mi juicio, el Edipo culmina em la segunda vuelta, la de la adolescencia, donde se puede producir um fantasma definitorio. Es decir una afirmación que defina para el sujeto una respuesta más o menos estable al ¿Che vuoi?
Estas reflexiones intentan subrayar la vigencia del Edipo, ‘complejo’ psíquico a través del cual pueden encontrar, la faz por así decirlo ‘matemática’ y la faz mítica de la estructura, una bisagra que·las articule. Entre las vueltas de la vida y la relación con un ‘determinado’ Otro, mezcla estructural en la que cada quien se forja, surge o no un modo de respuesta fantasmática. El Otro se presenta al sujeto estructurado, para bien o para mal, sincrónicamente. Pero las relaciones del sujeto con ese Otro se desarrollarán en la diacronía, y ésta hace lugar a las contingencias em que se nutren las creaciones que escapan a un determinismo mecánico.” ( página 21)
Mas são essas contingências que, através do fantasma, adquirem valor lógico necessário. A hipótese aqui é que o fantasma transforma contingência em necessidade. O fantasma estipula relações de causalidade. Assim, toda lógica é lógica fantasmática na medida em que fundada na consistência de suas operações. É interessante notar que as Lógicas contemporêneas que tratam de relações onde estão afastados os princípios de identidade, de não contradição e do terceiro excluído se denominem Para-Consistentes. Nesta hipótese, um abalo no fantasma, uma crise estocástica por natureza, é abalo que se refere a consistência das relações entre hermenêutica e energética, um abalo que se refere a identidade, a não contradição ou a exclusão de uma terceiridade. Quando o sujeito não consegue sustentar de modo estável sua identidade, suas contradições e/ou sua dialética, quando há abalo na amarração ou enlace entre energética e hermenêutica.


UMA BREVE VINHETA CLÍNICA
Uma mulher de trinta anos que passou metade de sua vida (os últimos 15 anos) consumindo alcóol e cocaína. Começa a usar aos quinze e interrompe o uso aos trinta. E demanda uma análise. Segundo seu relato, o consumo de cocaína lhe retirava toda e qualquer vontade de fazer sexo. Ela estranhava bastante essa situação, pois, por senso comum, era esperado que o uso da droga levantasse a censura e levasse a aumento da libido. A partir de determinado momento de sua vida encontra um parceiro que comunga dessa falta de libido quando usa crack. O interessante, segundo ela, é que nas raras vezes em que tentaram permanecer abstinentes, o casal conseguia fazer sexo constantemente. Outra afirmação que fez foi que, durante o período em que usava cocaína, havia a prevalência da pulsão escópica dirigida à imagem de seu corpo. Seu ritual preferido consistia em cheirar e ficar obsessivamente se olhando em espelhos. O controle do peso, da imagem, e os rituais anoréxicos e bulímicos ocupavam sua vida e afastavam qualquer possibilidade de contato sexual ou investimento na relação com sua filha e com sua faculdade.
A demanda de análise dela se dá porque, já separada desse rapaz – que continua a usar droga compulsivamente – se encontra, segundo ela, em “compulsão sexual e alimentar”.  Sexo e alimento, ausentes no curso do uso de droga, presentes em excesso no curso de sua vida em abstinência. O que a leva a buscar abstinência de drogas e alcool merece registro: seu avô aponta para sua filha – filha essa que se encontrava dentro de um boteco – e lhe pergunta: “Vejo nela você”. Abstinente, reclama que o tempo que passa em função de “suas compulsões” compromete sua relação com a filha e a faculdade. O trabalho em análise equaciona estas questões, os efeitos terapêuticos se fazem sentir – se forma e sustenta seu trabalho profissional, começa a namorar, investe na relação com sua filha - mas o que deve ser ressaltado aqui não é o aspecto qualitativo curativo da análise, mas o quantitativo energético. Suas pulsões parciais, que foram alteradas no início de sua adolescência - em concomitância com o início do uso de cocaína, sofreram nova modificação com a entrada em abstinência.
A prevalência do olhar – marcando seu corpo com a anorexia/bulimia – cede com a retirada da cocaína, tornando possível um novo enlace, um processo de nova intrincação pulsional.  Se no início o alimento e o sexo assumem, por deslocamento, valor preponderante, este valor vai sendo atenuado por um novo conjunto de conteúdos hermenêuticos e interesses libidinais.  Um novo enlace pulsional. Aqui não há travessia da fantasia, mas uma reorganização de seu imaginário com a constituição de novos marcos fálicos.  Dessa vinheta clínica importante ressaltar também o quanto um enunciado pode produzir efeitos na articulação entre energética e hermenêutica de um sujeito. Uma frase (“eu vejo você nela”) que produz um efeito de sentido – que atinge a junção entre o imaginário e o simbólico e altera a relação entre hermenêutica e energética. Que faz vacilar a estrutura do fantasma, levando a uma reorganização do imaginário (“eu hoje vivo como uma mulher de meu tempo”) e a novas articulações entre simbólico e real. Modificação do modo como subjetiva tempo e espaço, portanto também alteração do marco simbólico.
Pode-se pensar esse caso também articulando as intersecções entre os registros e os nós da seguinte maneira: a alteração em um dos três elementos - a, (J de phi maiúsculo) e (J do Outro) – modifica a dinâmica entre os demais e entre estes e os do real, simbólico e imaginário. O uso constante de droga (que inflaciona o imaginário) suspende a função fálica – e, portanto, o gozo fálico, notado J de phi maiúsculo – na medida em que deprime o simbólico, e, sem esse marco, o gozo do Outro assume a prevalência (retorna do real), gozo escópico que incide sobre a imagem de seu corpo e a impede de formular a pergunta e supor a resposta em relação ao desejo do Outro, aqui notado pelo a.
Outra maneira de pensar é fazer o paralelo com os três de Peirce. A presença ou não de um objeto (existente concreto) produz um determinado gozo (qualidade) que indica ou não o marco fálico (Lei).  Ou então, a contingência do encontro com a droga agora tornada lei – como modo estável de gozo - por sua vez, para ser alterada, depende de uma exegese sobre os conteúdos hermenêuticos do sujeito (qualidade), de modo a produzir um abalo na estabilidade de seu regime energético pulsional (objeto). Depende de uma reorganização, no tempo e no espaço, das relações entre simbólico e real. De um abalo no fantasma mediante uma rearticulação do imaginário. Outra forma interessante é supor que o uso de uma droga excitatória do sistema nervoso central produz um excedente pulsional – o fator quantitativo de Freud – de impossível simbolização pelo aparelho psíquico. E que esse fator quantitativo desliga, desintrinca as pulsões parciais, fazendo com que uma qualquer delas assuma a prevalência sobre as demais. Uma pulsão que é liberada à sua própria dinâmica de gozo, sem sofrer a limitação e a intrincação das demais pulsões parciais. Parafraseando os testemunhos do passe: “Sou essa voz...; essa merda ejetada...; esse objeto a devorar...; esse olhar penetrante a me fuzilar”. Esse olhar penetrante a me fuzilar, o sujeito acéfalo da pulsão.


CONCLUSÃO
O exame das homologias entre o modelo linguístico semiótico de Charles Sanders Peirce, o matema do fantasma, e o modelo dos nós borromeus, revela o esforço que Lacan fez para retirar a Psicanálise do psicologismo e da confusão conceitual. O dualismo pós-freudiano (que privilegiava apenas o registro Imaginário) é substituído por uma dialética trinária, porém sem que o terceiro elemento se constitua síntese dos dois anteriores – Simbólico, Imaginário e Real possuem equivalência de status. Em Peirce estes elementos triplos se relacionam entre si (Objeto, Representamen e Interpretante) e com três outros elementos (Existente Concreto, Qualidade e Lei) denominados Correlatos, também em número de três, de múltiplas maneiras. Em Lacan, elementos triplos que se relacionam entre si (Real, Imaginário e Simbólico) e com três outros elementos (objeto a, gozo fálico e gozo do Outro) também de múltiplas maneiras. 
No que se refere ao matema do fantasma, sua fórmula como operador epistemológico para pensar o sintoma foi ampliada. Até então havia o campo hermenêutico no pólo do sujeito e o campo energético no pólo do objeto. Simbólico e Real. As operações lógicas de corte, borda, conjunção, disjunção, maior e menor, e mais ou menos, não eram supostas serem animadas por algo ou alguém. Nesta hipótese triádica, estas operações podem ser pensadas como animadas pelo Imaginário. Na medida em que o analista utilize o elemento denominado interpretante como filtro para sua apreensão de fenômenos clínicos, esta (a clínica) pode ser ampliada de modo que possa haver mais de uma intervenção possível – sem prejuízo da técnica - o que implica em ganho quanto à sua prática e transmissão.

NOTAS
1. Logo depois de sua intervenção na segunda classe do Seminário 20, Encore, F. Récanati redigiu a mesma, corrigindo-a em alguns lugares e adicionando alguns parágrafos, para sua publicação no numero 5 da revista Scilicet.  Para acesso a intervenção de Récanati sem correções nem acrescimos, mas com as intervenções de Lacan, veja-se: Jacques LACAN, Seminario 20, Otra vez / Encore, 1972-1973, Versión Crítica de Ricardo E. Rodríguez Ponte para circulación interna de la Escuela Freudiana de Buenos Aires, clase 2, del martes 12 de Diciembre de 1972.  Récanati se refiere a su intervención en el Seminario de Lacan del año anterior, ...ou pire, clase del 14 de Junio de 1972.
2. disponível no endereço eletrônico http://www.imagoagenda.com/articulo.asp?idarticulo=47)
  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACERO, J. J. (2001) Introduccion a La Filosofia Del Lenguage. Ediciones Catedra.
AMIGO, S. (2005) Clínica de los fracasos del fantasma - 2a Edição. Rosario: Homo Sapiens Ediciones.
BIRMAM, J. (1993) Ensaios de Teoria Psicanalítica. Parte 1. Jorge Zahar. 
CHEMAMA, R. (1993) Diccionario del psicoanalisis. Amorrortu.
COUTINHO JORGE, M. A. (2010) Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan. Vols. I e II. Zahar Editora. 
DAVID-MÉNARD, M. (2000) Histérica entre Freud e Lacan: corpo e linguagem em psicanálise. São Paulo: Escuta.
DUNKER. C. I. L. (2007) “Ontologia negativa em Psicanálise”. Discurso. Revista do Departamento de Filosofia da Usp. Numero 36.
ECO, H. (2000) Tratado de Semiotica General. Editorial Lumen, quinta edição. 
FREUD, S. (1980) Luto e melancolia. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 14, pp. 271-291). Rio de Janeiro: Imago.       
FREUD, S. (1980) Além do princípio de prazer. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 18). Rio de Janeiro: Imago.        
FREUD, S. (1980) Dois verbetes de enciclopédia. A teoria da libido. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 18). Rio de Janeiro: Imago.     
FREUD, S. (1980) O ego e o id. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 19). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1923)   
FREUD, S. (1980) O problema econômico do masoquismo. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 19). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1924)      
FREUD, S. (1980) A negativa. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 19). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1925)    
FREUD, S. (1980) O mal-estar na civilização. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, trad., Vol. 21,) Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1930)       
FREUD. S. (1977) Projeto de uma psicologia para neurólogos. ESB, vol. 1.
FREUD. S. (1977) As neuropsicoses de defesa. ESB, vol. 3.
FREUD. S. (1977) Mais além do princípio do prazer. ESB, vol. 18.
FREUD. S. (1977) Inibições, sintomas e ansiedade. ESB, vol. 20.
FREUD. S. (1977) Esboço de psicanálise.ESB, vol. 23.
GARCIA ROZA, L. A. (1986) Acaso e Repetição em Psicanálise. Jorge Zahar.
GARCIA ROZA, L. A. (2008) Freud e o Inconsciente. Jorge Zahar, 23 Edição.
GARCIA ROZA, L.A.(2004). Introdução á Metapsicologia Freudiana. Volumes I, II e III. Jorge Zahar. & Edição.
HANS, L. A. (1999) A Teoria Pulsional na Clínica de Freud. Imago.
HONDA, H. (2002) Raízes britânicas da psicanálise: as apropriações de Stuart Mill e Hughlings Jackson por Freud. Tese (Doutorado em Filosofia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.   
HONDA, H. (2011) “O Conceito Freudiano de Trieb e algumas de suas implicações epistemológicas”. Fractal: Revista de Psicologia, v. 23 – n. 2, p. 405-422, Maio/Ago.
LACAN, J. (1995) Seminário 4. A Relação de Objeto. Zahar. 
LACAN, J. (1999) Seminário 5. Formações do Inconsciente. Zahar.
LACAN, J. (1998) Escritos. Zahar.  
LACAN, J. (1985) Seminário 11. Zahar Editora.  (Trabalho original publicado em 1964)
LACAN, J. Seminário 14. Versão de Associação Lacaniana Internacional. Tradução Letícia P. Fonseca. Centro de Estudos Freudianos do Recife
LACAN, J. (2006) Seminario 23 El Sinthome (1975-76); Pág. 119. Editorial Paidós. 
LACAN, J. Seminario 19: “… ou pire.” (1971-1972); inédito. Clases 11 y 12. 
LACAN, J (1959/60) O seminário livro 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.
LAPLANCHE, J. PONTALIS, J.B. (1988) Vocabulário de Psicanálise. Martins Fontes.
LIZCANO, EMMANUEL. (2006) Metaforas que nos piensam. Sobre ciencia, democracia otras poderosas ficciones. Creative Commons.
LEVIN, K. (1980) Freud: a primeira psicologia das neuroses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
MEDEIROS, J.T. (2015) “Paul Ricoeur, leitor de Freud: contribuições da psicanálise ao campo da filosofia hermenêutica”.   Revista Natureza Humana, vol.17 no.1 São Paulo. 2015.Versão impressa ISSN 1517-2430
MILLER, J-A. (1997) “O sintoma e o cometa”. Em: Opção Lacaniana, n ° 19. São Paulo: Edições Eolia, Agosto de 97, p. 8. Este artigo corresponde à primeira conferência de Miller em seu seminário do VII Encontro do Campo Freudiano em São Paulo, abril de 1997, cujo tema era: “As novas formas do sintoma”.
MILLER, J-A. (1995-1996) El Inconciente Interprete. Semiario de abertura do Curso 1995 – 1996 de Jacques-Allain Miller.
MILLER, J-A. (1983) Dos dimensiones clinicas: sintoma y fantasma. Buenos Aires: Ed. Manantial.
MONTEIRO, E. (1997) Sintoma, Fantasia e Pulsão. Trabalho apresentado nas VIII Jornadas Clínicas da EBP-Rio (14/15/16 de novembro de 1997), “Os destinos da pulsão: sintoma e sublimação”. Publicado em Kalimeros-EBP-RJ, Os destinos da pulsão. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria, 1997, pp. 89 -100.
PEIRCE, C. S. (1987) Collected Papers. Peirce, C. S.; Obra Lógico-Semiótica; Madrid, Taurus Edit., 1987.
PEIRCE, C. S.; (1998) The Essential Peirce; Vol II; The Peirce Edition Project; USA; 1998.
PEIRCE, C. S. (2000) Semiótica. Editora Perspectiva.
PEIRCE, C. S. (1987) Obra Lógico-Semiótica; Edición de A. Sercovich; Taurus Edit. Madrid. 1987.
PEIRCE, C. S. (1998) The Essential Peirce; Vol II; The Peirce Edition Project; USA; 1998. 
PULICE, G. (2000) De la experiencia freudiana, a la orientación de la investigación psicoanalítica frente a los desafíos de la clínica actual. Trabajo presentado en la III Conferencia Internacional de Psicología de la Salud, Psicosalud 2000, el 1 de diciembre de 2000, en la ciudad de La Habana.
PULICE, G.; Manson, F.; Zelis, O. (2000) Psicoanálisis y Investigación: De Sherlock Holmes, Dupin y Peirce, a la experiencia freudiana, Buenos Aires, Editorial Letra Viva. 
PULICE, G.; Manson, F.; Zelis, O. (2000)  Investigación y Psicoanálisis. De Sherlock Holmes, Peirce y Dupin, a la experiencia freudiana; Buenos Aires; Letra Viva.  
PULICE, G.; Manson, F.; Zelis, O (2007). Investigar la Subjetividad; Buenos Aires; Letra Viva.
RICOEUR, P. (1977) Da interpretação: ensaio sobre Freud. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1965).
RICOEUR, P. (1988) O conflito das interpretações: ensaios de hermenêutica. Porto: Rés. (Trabalho original publicado em 1969).
RICOEUR, P. (1989) Do texto à ação – ensaios de hermenêutica II. Porto: Rés.
RICOEUR, P. (1995) “Autobiografia intelectual”. In P. Ricoeur, Da metafísica à moral (pp. 47- 136). Lisboa: Instituto Piaget.
RICOEUR, P. (2009) A crítica e a convicção (A. Hall, Trad.). Lisboa: Edições 70.
RICOEUR, P. (2010) Escritos e conferências I – em torno da psicanálise. São Paulo: Loyola.
RICOEUR, P. (2013) A simbólica do mal (H. Barros, & G. Marcelo, Trad.). Lisboa: Edições 70. (Trabalho original publicado em 1960).
RICOEUR, P. (2013) Teoria da interpretação: o discurso e o excesso de significação. Lisboa: Edições 70.
RICOEUR, P. (2014) O si-mesmo como outro. São Paulo: Martins Fontes.
SIMANKE, R. T. (2006) “Cérebro, percepção e linguagem: elementos para uma metapsicologia da representação em ‘Sobre a concepção das afasias’” (1891) de Freud. Discurso - Revista de Filosofia da USP, n. 36, p. 55-94.  
SCAVINO, D. (2000) La Filosofia Actual. Pensar sin certezas. Paidos.
VIEIRA CAMPOS, E. B. (2004) Figuras da Representação na Primeira Tópica Freudiana. Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia da USP. 
ZANETTI, C. E. (2006) Corpo, representação e o domínio do real: a constituição do conceito de realidade psíquica em Freud. 2006. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2006.

PEDRO CARLOS TAVARES DA SILVA NETO é advogado, psicanalista, membro de Apertura (Sociedade de Psicoanalisis de Buenos Aires e La Plata)