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Mostrando postagens de 2018

O ETERNO RETORNO (Diego Tiscar)

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Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte.” (Willian Shakespeare - Macbeth)

Em minha experiência clínica, venho me deparando com pacientes que, depois de alguns anos em análise, se descobrem com as mesmas questões de antes - do passado ou do começo de suas análises. Algo comum a todos: a fera combalida continua soltando fogo. Um de meus pacientes menciona: “O ser humano está sempre repetindo e fugindo”. O aprisionamento em um tempo, em seu destino. A eterna repetição. Uns buscam uma pílula mágica que os livre do sofrimento, outros trazem a desesperança do tempus perpetuum.
O INFINITO
Dois notórios da Psicanálise se debruçaram sobre a questão: Jacques Lacan e Fabio Herrmann. Lacan partiu do Nó Borromeu (ou nó Borromeano), um gráfico matemático, oriundo de três elemento, ond…

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: ARMINDA ABERASTURY

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ARMINDA ABERASTURY(1910-1972), psicanalista argentina, pioneira do movimento psicanalítico argentino, nasceu em Buenos Aires (24 de setembro de 1910), em uma família de comerciantes pelo lado paterno, e de intelectuais pelo lado materno. Seu tio, Maximiliano Aberastury, era um médico de renome e seu irmão, Frederico, estudou psiquiatria com o suíço Enrique Pichon-Rivière, cujos pais, de origem francesa, se radicaram na Argentina em 1911 fugindo do fascismo, e que se tornou o seu amigo mais próximo. Frederico sofria de psicose e teve, por várias vezes, surtos delirantes. Sofrendo de melancolia desde a juventude, sua irmã Arminda era uma mulher de grande e rara beleza, de cabelos muito negros, o que lhe valeu o apelido de La Negra. Através de Frederico, ficou conhecendo Pichon-Rivière, com quem se casou em 1937, tendo três filhos: Enrique, Joaquin e Marcelo. Como este, desejava oferecer à Psicanálise uma nova terra prometida, a fim de salvá-la do fascismo que assolava a Europa. Enrique P…

BERGGASSE: MEDITAÇÕES CURTAS (Marcos InHauser Soriano)

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Perdidas na escrivaninha de Freud, as enigmáticas 20 folhas de papel almaço, contendo uma listagem de datas e anotações concisas, escritas pela inconfundível caligrafia gótica. No começo da primeira página, o título sublinhado: “A Mais Curta Crônica”1. Encontradas um mês antes da abertura do Museu Freud, em Londres (junho de 1986), coube a Michael Molnar decifrá-las, preenchendo suas lacunas, em árduo trabalho de pesquisa, que conteve uma busca minuciosa na casa 20 da Maresfield Gardens - última residência de Freud -, bem como uma série de entrevistas informais. O “diário”, que se inicia em 1929 e vai até 1939, é de uma contribuição inestimável, pois revela o “verdadeiro Freud”, o homem do cotidiano de seu tempo, em seu ambiente doméstico.
Datada de 26 de setembro de 1931 encontra-se a anotação: “Em Berggasse”.
1. Esta anotação, registrada com um traço vermelho na margem esquerda, marca o final das férias de verão de Freud. Uma mudança ambígua: de um alojamento espaçoso em Pötzleinsdorf p…

ENCONTRO "LER & ESCREVER" / SARAU TEATRAL

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Prezados Leitores
É com muita satisfação que convidamos para, no próximo dia 10/nov/2018, sábado, das 14h às 18h, o VIII Encontro “LER & ESCREVER”, promovido pela REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE. O tema do Encontro será “SENTIMENTO: ESTRANHO DESCONFORTO”. Neste Encontro teremos, como ponto de partida da discussão, a leitura da peça teatral “Deus travou o motor do seu refrigerador, madame!”
DEUS TRAVOU O MOTOR DO SEU REFRIGERADOR, MADAME!
Autor - Waldemir Marques Atores - Felipe Azeredo e Carmo Murano
SINOPSE Em um pequeno apartamento no centro de uma grande cidade, uma mulher de meia idade guarda e armazena seus sentimentos e/ou vida em frascos refrigerados. Em um momento de grande crise, daqueles em que tudo dá errado, ela descobre que seu refrigerador parou de funcionar. O que fazer? Chamar um “consertador” de geladeiras, simples! Nem tanto... O “Seu” Japonês acaba não dando conta dos defeitos... Estes conflitos e situações, tratados com poesia e humor, são resolvidos (será que serão?!) em ci…

VERBETE: DEFESA

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Sigmund Freud designa por esse termo o conjunto das manifestações de proteção do eu contra as agressões internas (de ordem pulsional) e externas, suscetíveis de constituir fontes de excitação e, por conseguinte, de serem fatores de desprazer. As diversas formas de defesa em condições de especificar afecções neuróticas costumam ser agrupadas na expressão “mecanismo de defesa”. Em 1894, Freud publicou um artigo intitulado “As neuropsicoses de defesa”, no qual a noção de defesa surgiu como o eixo do funcionamento neurótico em relação aos processos de organização do eu. Desse momento em diante, como é confirmado pelos Estudos sobre a histeria, escritos em colaboração com Josef Breuer, a questão consiste em identificar as modalidades pelas quais o eu, nessa época assemelhado à consciência ou ao consciente, reage às diversas solicitações capazes de perturbá-lo, provocando-lhe efeitos desprazerosos. Esses elementos parasitas podem ter uma origem externa, existindo então a possibilidade de o eu …

CINE VÓRTICE

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A REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE tem o prazer de convidar para mais uma edição do CINE VÓRTICE. No evento, será exibido o filme "MY FAIR LADY" (George Cukor, Estados Unidos, 1964). Após a exibição será aberta uma pequena discussão sobre o filme.
Data: 14/jul/2018, das 14h às 18h. Local: Rua Apeninos, 695 – Liberdade, São Paulo/SP.
A sessão terá início, impreterivelmente, às 14h15min.
As inscrições devem ser feitas até o dia 12/jul através do E-mail da REVISTA, informando nome completo (revistavortice@terra.com.br). Só poderão participar do evento as pessoas previamente inscritas, pois haverá uma “lista de presença”. As inscrições estão limitadas a um número de 25 pessoas.
SINOPSE & FICHA TÉCNICA “MY FAIR LADY” é um filme estadunidense de 1964, do gênero “comédia musical”, dirigido por George Cukor e baseado na peça teatral “Pigmalião” (sucesso da Broadway), de George Bernard Shaw. O filme conta a história de Eliza Doolittle, uma espivetada mendiga que vende flores pelas ruas esc…

NOTÓRIOS DA PSICANÁLISE: HERMANN NOTHNAGEL

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HERMANN NOTHNAGEL(1841-1905), médico alemão, aluno do grande anatomista Karl Rokitansky (1804-1878), originário da Prússia, exerceu as funções de professor de medicina interna na Universidade de Viena, de 1892 a 1905. Hostil ao niilismo terapêutico preconizado por seu mestre e por uma parte do corpo médico vienense, foi um clínico humanista, estimado por seus alunos e preocupado com o sofrimento dos doentes. Isso não o impediu de basear o seu ensino no diagnóstico anátomo-patológico, interessando-se pela patologia do sistema nervoso, do coração e dos órgãos digestivos. Sigmund Freud trabalhou como “aspirante” em sua clínica durante seis meses e meio, de outubro de 1882 a abril de 1883.
OBS.: Este artigo segue as diretrizes biográficas redigidas por Elisabeth Roudinesco e Michel Plon, para o Dicionário de Psicanálise.

EDITORIAL ANO IX

A REVISTA VÓRTICE DE PSICANÁLISE completa em março seu nono ano de existência. O CORPO EDITORAL gostaria de parabenizar a todos pelo esforço e pela participação nesta empreitada psicanalítica. Desde FREUD, percebemos a importância da LEITURA e da ESCRITA para o desenvolvimento da Psicanálise. Com seus precisos levantamentos bibliográficos nos Artigos Teóricos, bem como na arte de sua escrita, ora romanceada nos Historiais Clínicos, ora metodologicamente perfeita nos Artigos Técnicos, FREUD nos deixou esse legado e essa deliciosa obrigação: LER e ESCREVER. Em 1925, escreve FREUD, incansável: “É quase humilhante que, após trabalharmos por tanto tempo, ainda estejamos tendo dificuldade para compreender os fatos mais fundamentais. Mas decidimos nada simplificar e nada ocultar. Se não conseguirmos ver as coisas claramente, pelo menos veremos claramente quais são as obscuridades”. Ficamos, portanto, com esse desafio: perpetuar a LEITURA e a ESCRITA. Uma LEITURA e uma ESCRITA que permitam um diá…

O SINTOMA - ENTRE ENERGÉTICA E HERMENÊUTICA (Pedro Carlos Tavares da Silva Neto)

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Trata-se de um exame teórico das homologias existentes entre o triângulo semiótico linguístico de Charles Sanders Peirce e os três registros psíquicos de Jacques Lacan. Essas homologias são analisadas tendo como interpretante o Sintoma. Se a pulsão se encontra na fronteira entre o psíquico e o somático, o Sintoma é o fenômeno clínico privilegiado para pensar as distintas concepções de energética e de hermenêutica em Freud e em Lacan.
INTRODUÇÃO Pretende-se definer, explorer, e utilizar, numa breve vinheta clínica, a diferença obtida entre a linguagem binária de Saussure e a trinitária de Peirce para pensar o Sintoma.O autor tem procurado trabalhar a teoria e a clínica usando o elemento denonimado interpretante, elemento que Lacan introduz a partir de uma participação em seu Seminário de François Recanati, no qual elementos da Semiótica de Charles Sanders Peirce são pensados em seu ensino. O interpretante pode ser entendido como uma chave de leitura, um significante (ou conjunto de signi…